terça-feira, 23 de novembro de 2021
Mais uma dose
terça-feira, 21 de setembro de 2021
Pare, olhe, escute
domingo, 12 de setembro de 2021
The great pretender
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
Mau
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
Fly away from here
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
Cowboy
terça-feira, 7 de setembro de 2021
Don't fall in love with a dreamer
by Kenny Rogers and Kim Carnes
You never looked better than tonight
And it'd be so easy to tell ya I'd stay
I was so sure this would be the night
You'd close the door and want to stay with me
Like I've done so many times
Don't fall in love with a dreamer
'Cause he'll always take you in
Just when you think you've really changed him
He'll leave you again
Don't fall in love with a dreamer
'Cause he'll break you every time
Just hold on
Before we say goodbye
Now it's mornin' and the phone rings
You just gotta leave before ya change your mind
And if ya knew what I was thinkin', girl
I'd turn around if you'd just ask me one more time
Don't fall in love with a dreamer
'Cause he'll always take you in
Just when you think you've really changed him
'Cause he'll break you every time
Oh, put out the light
Just hold on
Before we say goodbye
Before we say goodbye
Goodbye
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
Time machine [2]
sexta-feira, 20 de agosto de 2021
Gente feliz
Lance Legal
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
NZ 1557
terça-feira, 17 de agosto de 2021
Você em mim
por Guilherme Arantes, meu eterno, com quem me sinto feliz em dividir uma época e um planeta, a lá Carl Sagan
Morrendo de vontade de te ver
Lembrando tanta coisa que ficou
E nada ocupa o seu lugar
O tempo passa e só faz aumentar
Você em mim
Que agora posso compreender/ o quanto foi
Realidade o encanto entre nós dois
E em tantas vidas que eu vivi
Meu desejo é ter você aqui
Pra sempre enfim
Que me deu a luz
Que eu não enxergava mais
Em você
O mundo sorriu
Querendo viver
Fazendo esquecer
De olhar pra trás
Que o destino me podia preparar
Uma surpresa em sua vida de uma vez
E dessa vez vir pra ficar
Com tanto amor que eu tenho pra mostrar
Você em mim
sábado, 14 de agosto de 2021
Rodoviária
Me lembro como se fosse hoje, inclusive com clareza de detalhes, daquele dia que, certamente, não aconteceu em tempos de pandemia.
Me lembro dela.
Como sempre, cheguei primeiro. Jamais me daria ao luxo de perder um só segundo do momento, muito menos por pura displicência, imagine. Prefiro ganhar na absurda insistência do que entregar os pontos para o atraso das empresas de transporte.
Quando vi seu ônibus fazendo a curva, lá embaixo, na esquina, quase nem acreditei. O corpo gelou, garganta fechou, coração acelerou.
Na hora.
Uma escola de samba inteira no meu peito. Como é possível? Em uma daquelas cinquenta poltronas ela estaria e, de alguma forma, eu não podia lidar muito bem com isso.
Eis que o motorista encosta na plataforma e eu, que até então fingia naturalidade, não aguentei. Levantei e fui logo pra perto esperá-la descer aqueles degraus que, já há certo tempo antes, eu havia profetizado que me fariam perder o ar e, eventualmente, a dignidade.
Força da expressão? Dito e feito.
Ela desceu e eu fiquei em choque. Travei. (Coisas que só uma rodoviária faz por você, pensei). Não deu nem pra decorar o nome escrito no ônibus, pra agradecer.
Ela era pequena. Menor do que eu havia imaginado, o que me fazia ainda maior do que ela poderia desejar. Sua meia calça trazia tudo o que precisava guardar entre a bota e o shorts jeans, um pouco rasgado, além da jaquetinha e do cabelo nem-preso-nem-solto que sempre me alimentou tantos tipos de pensamento.
Só deu mesmo pra tentar fazer a minha melhor pose, que em alguns instantes foi por água abaixo. Já estava entregue, vidrado. Babando.
De repente ela veio em minha direção e, como num filme, corta.
Já estávamos ali, frente a frente. Olho no olho. Respirando um único ar.
Congelamos.
Seus olhos bonitos e brilhantes encontraram os meus pequenos e atentos à forma como os dela tremiam ligeiramente. Sentia o corpo inteiro tremer e já nem tentava mais disfarçar. Ela sorriu, eu sorri. Sorríamos, bobos, porém não hesitamos, e aconteceu.
Aquele foi o abraço mais intenso e profundo que eu nunca dei.
E ali ficamos, por minutos, sem falar uma só palavra.
Abraçados. Grudados. Ligados. Finalmente!
Cena de novela, mesmo.
Enquanto todos os transeuntes e passageiros com suas malas, maletas e bolsas, passavam ao redor do nosso abraço, o som das rodinhas se arrastando pelo piso, também o som das conversas, dos nomes de filhos gritados pelas mães da América latina, e da voz aleatória nos auto-falantes anunciando as próximas chegadas e partidas...tudo isso, simplesmente silenciou, entrou no mudo.
Ainda nos apertávamos bem forte e nos mantínhamos encaixados ali, em pé. Meus braços longos envolviam suas costas e cintura, e seu corpo se aconchegava no meu peito. Trocávamos nossos perfumes como se troca de corpo, e sentíamos duas almas dançando naquele silêncio.
Era ela e só.
No dia em que tudo mudou.
O dia que não nos disse quando seria, quando foi, ou quando vai ser.
Um dia.
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
O oposto do amor
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
Fortaleza
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
O trouxa e o mau-caráter
Sempre foi muito mais difícil lidar com a fragilidade das pessoas do que com o mau-caratismo. Talvez por um senso interno de justiça, de não conseguir aceitar ser humilhado, nem que outras pessoas sejam humilhadas...não sei. Nunca suportei ouvir as histórias onde pessoas foram enganadas, ludibriadas, feitas de trouxa. Era de embrulhar o estômago. Tomo as dores. Pego ranço. Vou junto.
Em oposição a isso, o mau-caratismo sempre me pareceu muito mais honesto.
Explico.
Aquele vilão de novela, série ou filme, que a gente tem raiva, sobe o sangue, enche a boca pra gritar: canalha! A gente sabe que ele está por aí, e sabemos mais: estão aos montes. Em todos os lugares. A parte da honestidade à qual me referi é que, assim como na tela, certas vezes é fácil identificá-los. Você olha pr'aquele ou aquela e pensa: mas que grande filha da puta!
Essa gente sempre se safa, é impressionante.
Surreal.
O que me soa, definitivamente, imperdoável, é a migração. Normalmente do papel de trouxa, para o de mau-caráter. Coisa de personagem, mesmo.
O contrário também, porque a vida tem seus ciclos, mas esse é assunto para outra hora.
O coitadinho que sempre foi enganado, usado, feito de idiota...bem, não era tão coitadinho assim. O destino é implacável e, como diz a sabedoria popular, existem sempre três versões de uma mesma história. Entretanto, somente uma delas é a verdade.
A verdade é invencível.
E ela aparece. Você pode botar a culpa em quem quiser: nos astros, no karma, dívida de outras encarnações. Enquanto você não tiver um compromisso real com o que você é, honesto sobre quem já foi, e aberto para quem pode vir a ser...vai meter os pés pelas mãos.
A verdade é a verdade, e só ela é capaz de mostrar às outras duas versões da história quem são eles:
O trouxa e o mau caráter.
Não gosto de ser feito de trouxa, não nasci pra isso, sem a menor vocação. Mas tem uma coisa que eu gosto menos ainda: gente mau-caráter que se coloca como trouxa. A troco de conseguir credibilidade, porque é bem difícil pra quem cresceu num meio moralista como o nosso, virar e dizer: fui filha da puta sim, porque eu faço o que eu quero, e acabou.
Pra ser canalha é preciso, antes de tudo, saber assumir. Segurar o seu rojão. Vai dar merda, e quando der merda, você vai olhar e dizer: foda-se.
Perdoem-me o vocabulário chulo.
Se você me conta uma história onde foi feito ou feita de besta, olha...eu vou ficar bem puto, por você, e com o malfeitor. Porém, se eu descubro que no fundo você é só um canalha que não dá conta de resolver os seus dilemas...aí, eu lamento. Não muito, mas lamento.
Você está sozinho nessa.
Trouxa.
E mau-caráter.
terça-feira, 3 de agosto de 2021
Fica
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
Check
Não era possível que você iria querer jogar, não de novo. Logo comigo?
terça-feira, 27 de julho de 2021
Quando você veio
segunda-feira, 26 de julho de 2021
A história inteira da sua vida
domingo, 25 de julho de 2021
Still
quarta-feira, 21 de julho de 2021
Infinito
Talvez esse nem devia ir para o ar
Eu só queria, mesmo, conversar
Cansa demais se isolar
Pensar
Considerar
Abusar do infinitivo
Enquanto os outros estão lá
Da nossa cara a rir
Fingir
Mentir
Subtrair
O pouco que ainda nos resta de paciência.
Que gente mais pequena!
E eu que pensava que era bom
Nessa coisa de dissimular
Aproveitar
Manipular
Direcionar
Gozar
Dos frutos de um belo trabalho
Não
De fato, não
Não é por aí.
Essa gente não vai parar
De mostrar como gostam de
Seus próprios erros
Cometer
Aparecer
Submeter
Oferecer
Um segundo de atenção
Em troca de uma vida
De pura enganação
Ao bel prazer
De, em vez de ser
Existir.
segunda-feira, 19 de julho de 2021
Subjuntivo do passado
Queria que você nunca tivesse ido.
Queria que você tivesse vindo.
Que tivesse, sim, voltado, quando bem desejasse
Mas olha só quem está aqui, com essa mania, de querer dominar tudo
De novo!
Queria que você soubesse, e também que pudesse
Ouvir meus sussurros de volta
Fossem eles ao adormecer
Ou empurrando sua cabeça contra o travesseiro, num gemido louco
Queria também que se lembrasse
Que tornar fácil nunca foi do meu feitio
E que há um turbilhão de emoções por aqui
Daquelas que, provavelmente, você não quer nem saber
Afinal, quem se importa?
Queria que se quebrassem, ao meio, essas benditas pedras
Que se abrisse uma estrada
Para que você viesse, de novo, visitar meu céu
Queria que me mostrasse
A constelação bem em cima da minha cabeça
Queria que não fosse tão respeitoso, às vezes
Pra que me permitisse romper tuas malditas regras
Queria que elas não existissem
E que sua voz não fosse só essas gravações,
guardadas numa fita cassete
A sete chaves
Queria, enfim, mais do que você só gostasse
De montar
E de quebrar aos pedaços
Queria que você chegasse ao ápice
Que eu já sei que não vai
Não vamos
Não enquanto não fizermos algo
Como mudar a conjugação
Para que tudo o que a gente quisesse
Acontecesse.
domingo, 18 de julho de 2021
Mars
Tocou aquela música
Que me trouxe a imagem de você
Dançando, sozinha, pelo quarto
Mexendo os quadris, fechando os olhinhos, sorrindo
Que eu via, pela tela ou pelos próprios olhos
Ou mesmo numa terça a tarde
Quando nos perguntávamos
Será que existe
Vida
Em marte?
sábado, 17 de julho de 2021
Perdão
Palavra difícil
Para uma alma tão fincada no chão
Eis aqui
Ainda sim
O meu pedido
Por não ter seguido esse instinto maluco
Por não ter percebido
Que a fruta doce está logo ali
E que eu, sim, sei ler outras línguas
Inclusive a das estrelas
Porém viver aqui parece tão longe
Anos luz
E se eu já voltei das trevas outras vezes
Foi porque tive ajuda
É impossível ser feliz sozinho [o poeta disse]
Mas quem disse que a meta é ser feliz?
Tem uma parede aqui
Me protegendo dessa força
Da tal vulnerabilidade
E que eu ainda, ainda
Ainda
Não entendi.
Perdão,
Por deixar chegar ao limite
E agora, como sempre, ou como nunca
É tarde demais [?]
quinta-feira, 15 de julho de 2021
Comfortably
O ódio entrou e dominou
A teimosia
O desejo de vingança
As pragas mais absurdas
Que eu sempre roguei
E que se acabam depois de um mês
Ou dois, ou três
Quem sabe?
Eu gosto quando isso acontece
Eu vou pro fundo do poço
Me banho d'aquela água suja
Que quem poluiu
Sabe-se lá se fui eu
Ou o inferno dos outros
Depois me embriago de vinho
E cuspo pra cima
Enquanto gargalho
Lembrando dos desamores
E desse risquinho a mais
Na parede da cela
Olho para os lados
Só vejo os tijolos
Que empilhei com aqueles tantos nomes
E que delícia que foi
Tanto quanto horrível, se tornou
Só para que eu pudesse
Olhar pra cima
E ver que a saída
É o céu
E o universo
Nunca foi
O limite.
terça-feira, 13 de julho de 2021
It even seems like
Parece até que você me lê
Pelas entrelinhas das linhas que eu ainda não escrevi
Pelas estrelas bem alinhadas
E a conjunção dos planetas
Desta noite
De inverno
Que tem uma lua tão fininha, ali
Linda
No meio do céu roxo e rosa
Parece até que eu vou te ligar
Como naquela madrugada,
Que tinha marte vermelho
No céu bem preto
E eu na vista mais linda do mundo
Do outro lado
Da montanha
Mandando
Sinais
Parece até que você vai ver
O tanto que eu te procurei
Por todos esses dias
Semanas
Meses
Só pra te falar como o céu estava bonito
Até quando ele estava estranho
Com o cruzeiro do sul já de lado
Como você já viu
Como a gente nunca viu
Parece até que eu sinto seu cheiro
Quando eu passo o café
Quando eu vou ver o céu
E acendo um cigarro
Que eu nem tenho
Já que tal qual o Engenheiro
Nem fumo
Mas sinto o cheiro
O seu cheiro
Vindo quando bate um boreste
E a sua silhueta aparece
Na minha retina
Parece até
Que eu vou deixar
De temer.
segunda-feira, 12 de julho de 2021
Choose your destiny
"Retire as correias"
Isso mesmo.
Me desafie.
Porque não tem nada melhor pra me fazer refugar.
Do que uma palavra hostil.
Por que é que a gente é teimoso assim?
Falando por mim, naturalmente.
Vamos, me desafie. Não vai ser a primeira vez.
Quero ver até onde vai o sangue frio
De me ver por aí, pela noite
E rodar e brindar a miséria dos boêmios
Sabendo que isso tudo é o que eu sempre fui
Um bom fingidor
Das mais distintas categorias
Da canalhice
Que de tanto não medir esforços
Agora já não faz nenhum
Sabendo que o poeta romântico
Que pára pra ver a lua, as estrelas
Logo estará mergulhado no balcão
Entorpecendo-se do coquetel fortíssimo
Que é o uísque e o perfume feminino
Objeto de desejo
Escolha seu destino
Olhe suas cartas
Porque é fácil berrar quando a mão é boa
Mas olhar com essa cara
Sabendo que não saiu
Quase nada
É para poucos.
quarta-feira, 7 de julho de 2021
Inside man
É fácil focar em seus defeitos.
Sabe, é fácil lembrar
De quando decidi entrar
De quando decidir voltar
Fazer uma aposta, correr o risco
E ver tudo ir desmoronando
Enquanto eu pensava que seria possível
Recolher as pedras
Catar migalhas
Juntar caquinhos
Ia levando seus golpes
Literalmente
A torto e a direito.
Aí no fim
Você quis tanto, meu bem
Que deve ter desistido do crime
Ou será que foi eu
Quem desistiu
De apanhar?
Ficou fácil acreditar
No seu teatro
Na sua cara
No seu papel
No seu estilo
Nas suas lágrimas
De crocodilo.
Assim também foi fácil ver
Você ali, naquele balcão
Jogando o cabelo
O charme
O sorriso
Você deveria ter se visto
Quão lindo foi ver
O flerte
Que, por sinal, eu valorizo
Gosto
Do flerte, do toque no braço
Da risadinha
Gosto mesmo.
Desde que, antes de tudo,
Você se reconheça
Como um bom cafajeste.
Don't bullshit a bullshitter.
terça-feira, 6 de julho de 2021
Platão
Ninguém vai me fazer confundir
Não
Ninguém vai
Ninguém vai me fazer acreditar
Ser o que não sou
Ninguém vai me convencer
Com essa papagaiada toda
Com essa besteira que andaram inventando
Meu Deus
Onde estão os meus heróis?
O isolamento quase acabou comigo
O isolamento me tirou o foco
e misturou tudo
E mais
O isolamento não acabou
Mas ninguém
Ninguém
Vai usar isso a favor
Ninguém sabe dos meus demônios
Ninguém tem o direito de menosprezá-los
Muito menos
De trazer novos convidados até mim
Porque ninguém
Ninguém vai me internar
Não antes de eu pôr uma bala
Onde ela quiser chegar
Ninguém vai me taxar
De nenhum nome, prontuário ou condição
E ninguém
Nunca mais
Vai manipular a situação
Ninguém vai me fazer ser
Aquilo que eu não sou
Aquilo que eu não posso ser
O que eu não quero ser
E ninguém vai me fazer entrar
Naquela caverna
Não depois de eu ter saído
Há tanto tempo.
domingo, 4 de julho de 2021
Hoje, não.
Vocês mataram meu amigo.
Não, vocês não entendem.
Vocês mataram o meu melhor amigo.
E essa dor não é exclusiva minha, antes fosse. Eu sei como lidar. Talvez eu saiba.
É de tantas, tantas pessoas.
Vocês mataram meu amigo e por isso eu não posso perdoá-los.
Sinto muito por não sentir nada.
Por olhar com cara blasé, de arrogante e superior para esse comportamento burro, evasivo e desinteressado, disfarçado de preocupação, vindo da cara de vocês.
Eu não devia estar aqui no meio dessa gente e por isso eu saí. Porque eu não deveria ter vindo.
Porque o sangue do meu amigo está escorrendo aqui nas mãos de vocês, que cozinham para que comamos sua comida sem tempero, sem gosto, sem vida.
Porque eu tenho direito de escolher ignorá-los, blasfemá-los, culpá-los.
A culpa é de vocês.
Talvez um dia eu esqueça isso e resolva me misturar de novo.
Porém saibam que, se um dia decidir fazê-lo, será apenas para massagear meu ego e rir de vocês por dentro, enquanto bebo do seu álcool, como do seu banquete, lambuzo-me de teus frutos, e volto para o mundo do qual pertenço.
Um dia, que eu não sei quando vai ser.
O que sim, sei, é que este dia não é hoje.
Gentinha de merda.
sexta-feira, 2 de julho de 2021
Red
Meu compromisso com a coerência continua implacável.
Quantas vezes será que ainda vou escrever sobre isso ao longo da minha vida?
Sobre minha hipocrisia em esperar que façam tudo certo quando eu, majoritariamente, venho fazendo tudo tão errado.
Sobre reconhecer o erro. E continuar enfiando o pé no monte de merda das mais diferentes maneiras que uma mente criativa já foi capaz de criar.
Dessa dificuldade em ver uma mulher chorando e não fazer exatamente tudo, tudo o que ela pedir. E então, em virtude disso, só conseguir resolver as coisas graves dessa maneira abrupta, grosseira, hostil.
A inexplicável habilidade de sair do palco sem derramar uma lágrima.
Por mais profundo, o corte.
Por mais dolorida, a porrada.
Por mais humilhante, a cena.
Não demonstrar sentimentos não implica em qualquer frieza. É só que é assim, tem sido assim, foi assim agora, e claro, ainda vai ser muito assim.
Sigo esperando coerência. Você não me entrega, e isso nos destrói. Então o padrão se repete, mais e mais...
Cada um tem suas razões para falhar no meu caderninho. Cada um, à sua maneira, vai cair na minha armadilha mental do "te peguei".
Não consigo evitar.
Amarro tudo o que sei, pergunto o que preciso, investigo o que (ainda) não tenho, traço, planejo, organizo, mas não sou vilão. Juro. Pondero tudo, claro, quando quero.
Mesmo assim, depois de tudo, se estou coberto de razão, nem faço escândalo. Saio de fininho. Desapareço.
Alvoroço nunca foi do meu feitio. Muito menos no território inimigo.
Há quem chame de desrespeito. Normalmente, gente que pede respeito é gente desrespeitosa. Quem respeita sabe respeitar. E recebe em troca.
Quando ofende, é muito mais sobre o ofendido, do que sobre o ofensor.
Levanto da mesa, coloco meu chapéu, ajeito meu terno, e queimo o chão. Faço rastro. Rápido o suficiente pra só ser rastreado por quem eu quero, quando eu quero.
Sento no balcão, peço um bourbon, dou o tiro e o fundo do copo me saúda:
Bem vindo de volta.
quinta-feira, 1 de julho de 2021
C2H5OH
Me lembro de quando li uma certa biografia de um certo artista, pra ser o menos específico que eu puder, e de ter me identificado de certa maneira com um certo trecho.
Tá bom, chega de más referências.
O ponto aqui é que eu gosto do álcool. Ao longo da vida cada pessoa tem a oportunidade de experimentar todas as drogas que puder e escolher aquela que prefere mais do que as outras.
Tenho amigos que fumam maconha e são verdadeiros amantes da erva, em suas inúmeras formas de consumo. Eu nunca consegui. Até achei um jeito de culpar o signo: o verde é para pessoas que se permitem viajar, sair do plano, ir para outra dimensão. Não serve para um ser tão terreno, como sou.
E o artista contava em seu livro como o uso da heroína o fez perder certas memórias. Entretanto, não estou falando de esquecer uma fala ou uma parte da música.
Aliás, não sou nem eu que estou falando, é ele.
Pois bem.
Dizia então que não esqueceu um trecho, ou uma apresentação, não. No ponto alto, ou no auge, como dizem, do uso da droga, fez turnês inteiras sem sequer se lembrar. Imagine! Em algum momento, você acorda na sua casa e acabou de voltar de uma sequência de mais de quarenta cidades, em diferentes países, cheio de dinheiro no bolso. E não se lembra. De nada.
É isso.
A parte triste de ter apego, seja ao álcool, ou a qualquer tipo de droga, é que na hora que você precisa, ninguém te dá qualquer credibilidade. Nenhuma, pode tentar. Falo com propriedade porque já passei por isso tantas vezes. De não poder opinar porque, afinal, estava tão bêbado, que não podia dizer com clareza o que aconteceu.
Mas eu sei. Eu sei.
Eu sei o que eu vi. Eu sei o que eu ouvi. Eu sei o que aconteceu. Eu me lembro.
Não, eu não estou louco. Eu não sou um bêbado. Eu só estava bêbado.
E por isso, sim, eu sei o que eu vi e o que eu percebi.
Com tempo e com experiência, o limite entre a embriaguez e a sanidade, entre a lucidez e o entorpecimento, vai ficando cada vez menor, cada vez menos distante. E por isso as reações são quase que as mesmas que alguém teria se estivesse são, uma vez que sua capacidade de administrar já é bem avançada.
O problema é explicar. Porque no fundo, ninguém, ninguém entende. Ninguém acredita.
Como se houvesse um outro mundo entre o real e o que você interpretou.
É uma humilhação dupla. Quando se é humilhado na vida real e, ao tentar lutar, se é humilhado pelo seu estado questionável.
Por isso sigo. Abro uma cerveja. E mando essa gente careta para o inferno, o lugar onde, para mim, já estão faz muito tempo.
terça-feira, 29 de junho de 2021
I wish I could
Eu já sabia.
De algum jeito, eu estava sentindo. E não podia falar pra ninguém porque isso significaria ter uma postura, não sei, pessimista? Talvez. Ou ainda como se eu estivesse desejando...por Deus, longe de mim. Mesmo assim, de alguma forma, eu sabia. Já havia sentido, pressentido, premeditado, sido informado. De alguma forma.
E quando recebi a notícia, meu corpo, meu coração, e minha mente, brigaram avidamente pela primeira reação. A carinha triste na mensagem nem fazia tanto efeito perto da tristeza que eu já vinha sentindo há semanas.
Ele faleceu.
Triste de nós que estamos vivendo este período. Porque semanas, sim, são suficientes para você perder alguém querido. Ouvi histórias de gente que foram até dias. Nem sei se dá pra comprar em uma situação dessas.
O que eu, sim, sei, é que naquela semana, numa dessas noites conturbadas de menos de cinco horas de sono, ali estávamos. Todos os amigos juntos, em uma mesa longa (dessas de recreio), não lembro bem se jantávamos, mas sei que bebíamos, e tudo parecia mais com um banquete. Dentro de um avião! hahaha sim, dá pra crer?
Uma mesa enorme dentro de um avião, tipo aqueles do exército que vemos em filmes - mesmo porque eu nunca estive em um - bebendo, rindo, falando alto, contando piadas...é, neste caso, falando por mim. Eu contando piadas, e todos rindo.
Acordei sem entender muito bem, mas pensei ser meu subconsciente tentando me dizer que tínhamos coisas incríveis, memoráveis, inesquecíveis juntos.
O tempo passou. Algumas semanas, mês e pouco, não sei ao certo.
Até que, desta vez em uma noite de sono bem longa e satisfatória, nos encontramos de verdade. E foi real, de um jeito que eu nem sei explicar. Tem vezes que estou na vida real e parece que aquilo é um sonho, e que a qualquer momento vou acordar. Foi isso, só que ao contrário.
Para contextualizar e ser bem breve: em algum momento do sonho, eu morri. Ou melhor - ou pior, no caso - fui morto. Levei um tiro porque sabia demais. Provavelmente, alguma série policial fazendo as vezes no meu inconsciente.
Quando me dei conta, estava aqui. No mesmo lugar, na mesma cidade, no bairro vizinho inclusive. Porém, o céu estava preto, preto, preto, como só acontece nos meses de inverno, pouco antes do amanhecer.
Sim, era a terra dos mortos.
Logo que percebi do que se tratava, pensei: preciso encontrá-lo!
E não deu outra. Andei pelas ruas, que por sinal conheço tão bem, já que cresci aqui. Procurando, com emoção e esperança. Não demorou muito e encontrei. Era ele. Ali, praticando algum esporte, na rua mesmo, entre outros, naturalmente, mortos também.
Ele se aproximou, me cumprimentou como sempre fazia, nos abraçamos, eu com profunda emoção, ele tão, tão natural. Como se nada de especial estivesse acontecendo. Falou comigo, disse que tava "tudo beleza", falei pra ele o quanto era bom vê-lo, e ele respondeu, também ficou feliz.
Nem sei o que senti quando acordei. Não conseguia descrever.
Queria encontrá-lo mais vezes. Queria que que ele entrasse pela porta agora mesmo e a gente começasse a rir e conversar, como as coisas sempre foram.
E isso faz toda a diferença.
Em tudo!
Como eu queria...
domingo, 27 de junho de 2021
Faro
Isso mesmo, mais seis meses de silêncio.
Muito álcool, pouco assunto. Muita dúvida, pouca inspiração.
Quase nenhuma.
E lá vamos nós de novo, de onde paramos ou - também conhecido como - de fato, de onde nunca deveríamos ter saído.
A folha em branco.
Entre inúmeras tentativas, adiando o inevitável e sucumbindo - como sempre - às paixões da carne, o que uma hora haveria de ser, foi.
Acho que...é.
Sabe...existe uma certa tara pela profundidade.
Do lago, ou do poço. Que seja. Mas é ali, onde nada acontece e tudo pode acontecer.
É olhando pro lago que Narciso vê a si mesmo. Outros, vêem a lua, as estrelas. Ainda outros, enxergam as coisas.
Desta vez, não podia ser diferente.
Aquilo que as estrelas mostraram, o medo levou embora. Só ficou, então, o silêncio. Bendito mundo moderno!
E aquilo que a lua sempre carregou e nunca deixou ir, até voltou, veja só.
Agora...em vez do lago, encaro o poço. E adivinha!
O faro, o instinto, a visão, as cicatrizes e os macetes, esses sim.
Continuam aqui.
Nunca se vão, ao mesmo tempo em que não deixam nada se aproximar.
Nada perigoso.
Tudo é perigoso.