- Oi
- Nossa, você tá um lixo
- Não tenho dormido muito bem
- Como sempre?
- Como nunca.
- Você precisa parar de beber
- Eu faço melhor. Cuido da minha própria vida e só
- Não precisa ser grosso
- ...
- Er...bem
- É nessa hora que você sai e não volta nunca mais?
- Eu sempre volto
- Já percebi que você não é especialista nisso
- Com você, não dá.
- Você está igual
- Igual?
- É. Ouça a voz do lixo
- Não sei o que é pior. De verdade. Você mudou, de novo. Já são vinte anos e você continua mudando. Quando é que será que você vai parar?
- Acho que nunca vou nem tentar.
- Você se acostumou com a mudança. Por isso não pára em lugar nenhum.
- Jamais suportaria. Não entendo como você pode, tão jovem, pensar em estabilidade. Sossego, segurança.
- ...é confortável
- É pequeno.
- Sempre me vi em você, talvez esse tenha sido meu erro. Sempre quis ser você. Mas não, eu não sou você.
- Eu, tal qual, ainda me vejo em você. Só que agora estou triste. Não por mim, mas por você, mesmo. Agora é a hora que começam os erros. Já te vejo no meio dessa avalanche de decisões erradas e, de alguma forma, queria conseguir impedir. Mudar o curso do destino. Suavizar as consequências.
- Não preciso da sua compaixão
- É claro que você iria recusar. Eu também era um grande imbecil nessa época.
- Nisso, não sei se mudou muito
- Eu pareço bem?
- Você tá um trapo.
- Se prepare.
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