quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Time machine [2]

 - Oi
 - Nossa, você tá um lixo
 - Não tenho dormido muito bem
 - Como sempre?
 - Como nunca.
 - Você precisa parar de beber
 - Eu faço melhor. Cuido da minha própria vida e só
 - Não precisa ser grosso
 - ...
 - Er...bem
 - É nessa hora que você sai e não volta nunca mais?
 - Eu sempre volto
 - Já percebi que você não é especialista nisso
 - Com você, não dá.
 - Você está igual
 - Igual?
 - É. Ouça a voz do lixo
 - Não sei o que é pior. De verdade. Você mudou, de novo. Já são vinte anos e você continua mudando. Quando é que será que você vai parar?
 - Acho que nunca vou nem tentar. 
 - Você se acostumou com a mudança. Por isso não pára em lugar nenhum.
 - Jamais suportaria. Não entendo como você pode, tão jovem, pensar em estabilidade. Sossego, segurança. 
 - ...é confortável
 - É pequeno. 
 - Sempre me vi em você, talvez esse tenha sido meu erro. Sempre quis ser você. Mas não, eu não sou você.
 - Eu, tal qual, ainda me vejo em você. Só que agora estou triste. Não por mim, mas por você, mesmo. Agora é a hora que começam os erros. Já te vejo no meio dessa avalanche de decisões erradas e, de alguma forma, queria conseguir impedir. Mudar o curso do destino. Suavizar as consequências. 
 - Não preciso da sua compaixão
 - É claro que você iria recusar. Eu também era um grande imbecil nessa época. 
 - Nisso, não sei se mudou muito
 - Eu pareço bem?
 - Você tá um trapo.
 - Se prepare.


Nenhum comentário:

Postar um comentário