terça-feira, 13 de dezembro de 2022
Número da sorte
sexta-feira, 2 de dezembro de 2022
Não tenho tempo
Eu não tenho tempo
Eu não sei voar
Dias passam como nuvens
Em brancas nuvens
Eu não vou passar
Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
Eu não sei voar
Eu tenho um sapato
Eu tenho um sapato branco
Eu tenho um cavalo
Eu tenho um cavalo branco
E um riso, um riso amarelo
Eu não tenho tempo
De me ouvir cantar
Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
De me ver chorar
Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
E eu não sei voar
quinta-feira, 1 de dezembro de 2022
Ensaio sobre a ingenuidade
Fazia tempo
Que não recebia, em visita
Tamanha tristeza
As dores no corpo
E também na cabeça
O choro incessante
Deitado na cama, em posição fetal
Tentando entender
O porquê de coisas que não têm porquê
A cama mudou
Também o hemisfério
A vida tentou
E tentou, e tentou
Até conseguir, de uma vez, me mostrar
Como dói ser sério
E quão caro é o preço
Da ingenuidade
Entregar-se todo, transformar o mundo
Nunca foi bom plano
Por que panos limpos?
A troco de quê?
Se tudo ao final será má surpresa
A segunda vez é ainda pior
A queda em vertigem me roubando o ar
Já que, só a subida, era um salto de fé
Agora o adeus
Que achei que seria difícil dizer
Foi silencioso
Com palavras falsas
Choro vergonhoso
De quem sabe a culpa
De que vale a culpa?
Agora que não dá mais para mudar.
quarta-feira, 23 de novembro de 2022
Conflito - O retorno
por Fagner, de Petrucio Maio / Clodo
O compasso do meu pensamento
E o coração se entrega inteiro, sem razão
Se o pensamento foge dela
E o corpo todo sai tremendo,
massacrado e ferido no conflito
terça-feira, 22 de novembro de 2022
Pintura
Fiz meu café sem vontade
Nem de beber
Nem de viver
Limpei a sala e a cozinha
Tirei tudo de mau que havia
Olhei pro lado e me vi tão triste
Ainda
Recolhi cacos e pedacinhos
Daquela que seria
A melhor obra
Olhei pra tela, que leva meu nome
E que,
mesmo assim
Insiste em parecer sorrir
Embora violentada
Parece um pouco comigo, afinal
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
Leve Desespero [2]
Eu não consigo mais me concentrar
Eu vou tentar alguma coisa para melhorar
É importante, todos me dizem
Mas nada me acontece como eu queria
Estou perdido, sei que estou
Cego para assuntos banais
Problemas do cotidiano
Eu já não sei como resolver
Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
Então é outra noite num bar
Um copo atrás do outro
Procuro trocados no meu bolso
Dá pra me arrumar um cigarro?
Eu não consigo mais me concentrar
Eu vou tentar alguma coisa para melhorar
Já estou vendo TV como companhia
Talvez se você entendesse
O que está acontecendo
Poderia me explicar
Eu não saio do meu canto
As paredes me impedem
Eu só queria me divertir
As paredes me impedem
Eu já estou vendo TV como companhia
Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
Avalanche
domingo, 6 de novembro de 2022
Faro [2]
A arte vive
sexta-feira, 28 de outubro de 2022
Samba e Amor
Porque eu não sei se eu já vi o Chico errar algum dia.
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
terça-feira, 25 de outubro de 2022
Aqui
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
Virgo
sábado, 15 de outubro de 2022
Caderninho
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
À queima roupa
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
Amor, Amor
Quando o mar
Quando o mar tem mais segredo
Não é quando ele se agita
Nem é quando é tempestade
Nem é quando é ventania
Quando o mar tem mais segredo
É quando é calmaria
Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
Lá
Blue eyes
Elton John, for God's sake. I can't believe it.
Baby's got blue eyes
Like a deep blue sea
On a blue blue day
Blue eyes
Baby's got blue eyes
When the morning comes
I'll be far away
And I say
Blue eyes
Holding back the tears
Holding back the pain
Baby's got blue eyes
And she's alone again
Blue eyes
Baby's got blue eyes
Like a clear blue sky
Watching over me
Blue eyes
I love blue eyes
When I'm by her side
Where I long to be
I will see
Blue eyes laughing in the sun
Laughing in the rain
Baby's got blue eyes
And I am home, and I am home again
sábado, 24 de setembro de 2022
Treze
terça-feira, 20 de setembro de 2022
Os três mal amados
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Eu não sei.
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Culpa
sábado, 10 de setembro de 2022
Somos assim
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
A todos vocês poetas jovens
não é a quantidade de pessoas
que gostam do seu trabalho
sua arte
é
o que seu coração acha do seu trabalho
o que sua alma acha do seu trabalho
é a honestidade
que você tem consigo
e você
nunca deve
trocar honestidade
por identificação
- a todos vocês poetas jovens
No livro "Outros Jeitos De Usar A Boca", de Rupi Kaur
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
Bagunça
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Eu te amo
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que 'inda posso ir
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato 'inda pisa no teu
Teus seios 'inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
Quem atrai quem?
domingo, 28 de agosto de 2022
It's a sin
Nós
Chico
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas quando ele se deita
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai