domingo, 27 de junho de 2021

Faro

Isso mesmo, mais seis meses de silêncio. 

Muito álcool, pouco assunto. Muita dúvida, pouca inspiração.

Quase nenhuma.

E lá vamos nós de novo, de onde paramos ou - também conhecido como - de fato, de onde nunca deveríamos ter saído. 

A folha em branco. 

Entre inúmeras tentativas, adiando o inevitável e sucumbindo - como sempre - às paixões da carne, o que uma hora haveria de ser, foi. 

Acho que...é. 

Sabe...existe uma certa tara pela profundidade. 

Do lago, ou do poço. Que seja. Mas é ali, onde nada acontece e tudo pode acontecer.

É olhando pro lago que Narciso vê a si mesmo. Outros, vêem a lua, as estrelas. Ainda outros, enxergam as coisas. 

Desta vez, não podia ser diferente.

Aquilo que as estrelas mostraram, o medo levou embora. Só ficou, então, o silêncio. Bendito mundo moderno!

E aquilo que a lua sempre carregou e nunca deixou ir, até voltou, veja só.

Agora...em vez do lago, encaro o poço. E adivinha! 

O faro, o instinto, a visão, as cicatrizes e os macetes, esses sim. 

Continuam aqui. 

Nunca se vão, ao mesmo tempo em que não deixam nada se aproximar. 

Nada perigoso.

Tudo é perigoso.




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