sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Mau

Sinto seu corpo.
Queria poder mesmo sentir, ainda mais
Seu cheiro
Então ouço sua voz
Numa gravação barata e ilegal, feita e gravada pela minha mente suja e vil
Vejo seus olhos
Quando fecho os meus
Já que conto nos dedos os olhos que vêm
E que me deixam ir, assim, profundamente
Penetrante
Desde o primeiro dia em que os vi.
Então saio louco
E te procuro pela cidade
Onde, naturalmente, você não está
Eu sei.
Vou aos lugares em que você estaria
E onde não estaria também
Essa cidade é muito grande, é madrugada
A música no rádio não é mais como antes
No tempo em que havia outros amores
E que eras só uma criança, sofrendo os traumas que hoje te afligem 
Apesar de, eu rodo, por aí,
Pelas ruas escuras, becos e bares
Onde você, novamente, não está
Me culpo e me rasgo, por fora e por dentro
Quando sinto o cheiro
Do gozo da moça, ainda em minha barba
Daquele quadril ainda em meu corpo
Sem nenhum sentido
Como sempre foi. 
E te imagino a explorar mil possibilidades
Quantas frustrações ainda a se viver
No auge da casa dos vinte
E todas as chances de acordares
Com o travesseiro todo molhado e borrado
Pensando: de novo.
Num último respiro
Mau
Desejo-te mais dessa pena
Por não estar
Aqui.

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