A vida se repete.
Só que, desta vez, ao contrário.
Meu Deus, que coisa mais maluca.
De todos os papéis que eu, um dia, pensei que teria, jamais imaginei - mesmo! - que teria que viver o dela.
A parte boa deste registro bloguístico é essa: nem preciso contextualizar, basta o leitor voltar e me ler lá em 2007.
Quinze anos. Quinze.
E então, os papéis se invertem.
Temo, primeiro, do alto do meu pedestal machista e orgulhoso, se os sinais teriam se invertido completamente. Afinal, só eu sei como é carregar a culpa do que fiz, de como fiz, de quantas vezes fiz. Grosseiro. Enfim.
No fundo, até acredito que não.
Sigo, então, lembrando daquela cena no jardim. Quando ela me trouxe todas as minhas coisas em uma caixa. Afinal, ela não me queria mais em sua casa, e eu, de fato, entendia suas razões. Essa parte diverge um pouco, infelizmente.
A caixa, entretanto, reapareceu. Só não tive as mesmas bolas que ela teve de vir entregar-me em mãos. Sei também o porquê disso tudo - é bem mais fácil lidar com alguém independente, o que não foi o caso, na minha vez. Mudanças de roteiro, certamente, aconteceram.
Por mim, ela se foi. Desapareceu do mapa. A vida viajando o mundo. E adivinhe só o que eu estou fazendo agora?
Pois é.
Enquanto isso, meu outro eu se perdia entre mil camas, duas, três, ou quatro mil pernas, além de todo o álcool e quaisquer substâncias.
Sabe lá se isso é real agora. Pra mim, daqui de cima, certamente que sim.
Desejo que sim, no mais profundo eu. E imagino, como queria estar vendo de perto, do sofá de canto bem posicionado no quarto.
Melhor não desviar os pensamentos.
E se tudo der certo, em alguns anos, estaremos lá. Naquele quarto de hotel, trocando juras de amor, e celebrando aquilo que nunca mais vai existir.
Mas que, ao mesmo, vai existir pra sempre.
Enquanto a vida se repetir.
E ela irá.