segunda-feira, 19 de julho de 2021

Subjuntivo do passado

Queria que você nunca tivesse ido.

Queria que você tivesse vindo.

Que tivesse, sim, voltado, quando bem desejasse

Mas olha só quem está aqui, com essa mania, de querer dominar tudo

De novo!

Queria que você soubesse, e também que pudesse

Ouvir meus sussurros de volta

Fossem eles ao adormecer

Ou empurrando sua cabeça contra o travesseiro, num gemido louco

Queria também que se lembrasse

Que tornar fácil nunca foi do meu feitio

E que há um turbilhão de emoções por aqui

Daquelas que, provavelmente, você não quer nem saber

Afinal, quem se importa?

Queria que se quebrassem, ao meio, essas benditas pedras

Que se abrisse uma estrada 

Para que você viesse, de novo, visitar meu céu

Queria que me mostrasse

A constelação bem em cima da minha cabeça

Queria que não fosse tão respeitoso, às vezes

Pra que me permitisse romper tuas malditas regras

Queria que elas não existissem

E que sua voz não fosse só essas gravações, 

guardadas numa fita cassete

A sete chaves

Queria, enfim, mais do que você só gostasse

De montar 

E de quebrar aos pedaços

Queria que você chegasse ao ápice

Que eu já sei que não vai

Não vamos

Não enquanto não fizermos algo

Como mudar a conjugação

Para que tudo o que a gente quisesse

Acontecesse. 

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