Eu já acreditei em muitas coisas
Contudo, no amor?
Acho que não
Busquei a vida inteira
Meus vinte anos de amor
Encontrar aquilo que fosse
O oposto
O oposto do que se chama
Amor
Já acreditei em muitas
Muitas, coisas
Ainda que, não em muitas
Pessoas
Quase nenhuma, ouso dizer
Um dia acreditei, porém
Que era o ódio que se opunha ao amor
Pois aquilo era o que eu tinha
No meu dia a dia
E se não me sentia amado
Talvez, odiado, sim
E tudo bem, assim vai ser
Retribuindo amor quando havia de ser
Destilando ódio quando conveniente
Me fosse
Pois bem
Que um certo dia me senti filósofo
Descobrindo a América ao perceber
Que o oposto do amor, sim
Só pode ser!
A indiferença
Afinal, o que podia doer mais?
[sempre fui chegado numa dor, quê fazer?]
Do que saber que alguém não te odeia
Pelo contrário
O oposto
Não está nem aí!
Não dá a mínima para você
Veja só, a audácia dessa filha da puta.
Até chegar o dia em que só o que tenho
É aquilo que sinto
E só o que possuo
É o que vejo, que concluo, e o que posso oferecer
E o que me impede de amar, afinal?
É o oposto do amor
Porque se tudo o que está em volta
É energia, é Deus
E Deus, sabemos, é amor
Longe da lógica do Stevie Wonder
O amor é tudo
Mas não posso deixá-lo entrar
Afinal, tenho medo
O oposto do amor, enfim
É o medo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário