Às vezes é setembro
E quando você pisca
Já foi
Acabo que em Janeiro, enfim
Recebo uma visita ilustre
Daquelas de meio de noite
Que chegam no cais de Jessé
E que a gente não sabe
Se vêm pra ficar
Já falei tanto nesses cadernos
Sobre belíssimas obras
Surgidas da dor
Folheie pra verdes
Verás
Pois bem, então, chegou
Trouxe também aquele amargor na boca
Ao acordar
E claro, a sempre bem-vinda solidão
Entra, senta, fica a vontade
Que já sabemos do outro tão bem
Que você nunca erra o endereço
E sempre que vem
Me faz vomitar
Palavras
Pensamentos
Emoções
Só que depois, vai embora
Brinca comigo
Me faz içar velas
Repousar penas
Eu que sempre me acostumei
a te ter
aqui
Me lembro dos dias obscuros
Em que nos escondíamos de dentro pra fora
E escrevíamos nas notas camufladas
de receitas de bolo
Pra que o mundo não descobrisse
O quanto queríamos
que fossem revelados
nossos segredos
No mais, obrigado,
Muchas gracias,
Thank you, tack
Por estar por perto
Me lembrando
tanta coisa
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