Parece impossível pensar que alguém gostaria de descer daquele degrau.
Pensava que estava apaixonado e que valeria pena o esforço pois a recompensa, ou seja, o novo estilo de vida iria ser tão ou mais intenso – de todas as maneiras diferentes que isso pudesse significar.
Hoje quando olho e dou uma varrida naquelas cenas, tento incansavelmente procurar razões inconscientes que me levaram a fazer isso. Não é possível que eu tenha sido derrubado assim. (Ou é?)
Talvez quisesse sentir como é fazer as coisas direito ao menos uma vez na vida. Esse é um argumento forte, me lembro de ter passado por ele.
Talvez, não sei, estivesse cansado e com o velho pensamento de que já havia provado tudo o que poderia provar do lado de lá.
De fato é válido, continuo concordando com isso.
No fundo o que gostaria de dizer é que, o que quer que tenha me trazido até aqui, foi muito mal administrado e hoje me encontro no caos.
O que eu penso que sou?
Posso correr todo o dicionário para responder essa pergunta e não vou encontrar a palavra “foda”.
Não sou mais isso.
Perdi aqueles poderes, por menos interessantes que fossem.
Perdi minha identidade.
Não sei o que eu sou porque não sei quem sou. Me perdi em algum ponto no caminho, não sei exatamente qual, mas misturo três ou quatro músicas em minha cabeça e aos poucos surgem flashes isolados daqueles momentos...
...se foram os sonhos
...se foi o trabalho
...se foram os planos
...se foram os amigos
...se foram as economias
...se foi a gentileza
...se foi a malandragem
...se foi a autoestima
...se foi a família
...se foi a consideração
...se foi o respeito
...se foi o interesse
...se foi o calor
...se foram os sorrisos
...se foram os motivos
Onde encontrar o que se é, quando se perde tanto?
Se tudo o que foi perdido servir para ganhar depois, então uma limpeza há de acontecer, agora ou depois, pra que eu possa me encontrar com o que eu realmente seja.
Por enquanto, não sou nada.
Apenas vou.
Estou.