segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Quem atrai quem?

“O controlador atrai o dependente.
O agressivo atrai o submisso.
O isolado atrai o solitário.
O desconfiado atrai o mentiroso.
O egoísta atrai o orgulhoso.
O irônico atrai o debochado.
O sabe-tudo atrai o ignorante.
O nervoso atrai o irritado.
A vítima atrai o culpado.

O inteligente atrai o sábio.
O próspero atrai a riqueza.
O desejo atrai o calor.
O gentil atrai a delicadeza.
O aconchego atrai o alivio.
A dedicação atrai o reconhecimento.
A atenção atrai o amor.
A simpatia atrai o carisma.
A alegria atrai o bom humor.
O silêncio atrai o discernimento.
A maturidade atrai o bom senso.”

(Autor desconhecido)

domingo, 28 de agosto de 2022

It's a sin

Não sei dizer o que eu não daria
Para tê-la hoje, ali
Comigo
Naquele momento.
Talvez ela nem gostaria tanto, confesso
Sei que não vê, lá, tanta graça
Mas eu adoraria tê-la ali
Por perto
E eu sei que mudaria totalmente
Aquele show.
Acho que no fundo eu já sabia
Já que me deu as dicas que também, no fundo
Sabia que não viria
Sei que eu sentiria ciúme
Havia alguns escrotos no caminho
E eu nunca a vi sabendo desviar
Embora honestamente ache que sim
Ainda sim
Olhei
E vasculhei
Escaneei
Todos os cantos
Não havia ninguém onde eu queria
Claro que não podia aparecer
E eu sei que há nobre razão
Queria não escrever tantas linhas
Só pra contar o quanto senti sua falta
Parece um pecado estar aqui
Sozinho no sofá da sala
Poetizando dores e incertezas
Que eu jamais gostaria de sentir
Mas que sinto, e não nego
Acho que nunca produzi tanto
Pelo menos não para um só alguém
Talvez me lembre da última vez
E lembro que doía pra caramba
Mas esse olhar é diferente
E não sei bem o que fazer com isso
Só sei que, já que já passei dos trinta
Vergonha é algo que não tenho mais
Então seja o que Deus quiser
A toalha ainda está aqui
Mas não dormirá embaixo de mim

Nós

Jamais imaginei que tu me lias
Nunca pensei que tu
Meu bem
Um dia
Estarias aqui.

Paro e penso, que sim, não há limites
Pra toda a vida que
Nós dois
Queremos
Viver, e vamos, sim

Choro na chuva
Danço entre canções
Quebro padrões
Querias tu
Onde é que estás?

Pego um guardanapo
O abro, escrevo
Com a caneta bic do garçom
Poemas que nunca te entregaria

E por algumas horas, sim, sou Deus
Me olham, vangloriam, se admiram
Assumo a posição, sabes que eu gosto
Mas no fundo eu só olhava a porta
No fundo eu esperei por tua surpresa

Depois sem nem eu perceber 
Já estou lá naquele inferno
Desvio de tudo o que não presta
Espero teus sinais
Que nunca chegam

Queria desatar os nós
Que eu mesmo criei
Os nós que nós criamos
E emaranhamos
Mais e mais
Toda semana

Desvendar nossos mistérios
Nossos nós, são tão bem feitos
Que nós já não sabemos
Onde estamos
Onde estão
Nossos 
Nós

Chico

As seis e pouco da manhã, volto pro Chico que sempre nos mata e salva na mesma medida.

O meu amorTem um jeito manso que é só seuE que me deixa loucaQuando me beija a bocaA minha pele toda fica arrepiadaE me beija com calma e fundoAté minh'alma se sentir beijada, ai
O meu amorTem um jeito manso que é só seuQue rouba os meus sentidosViola os meus ouvidosCom tantos segredos lindos e indecentesDepois brinca comigoRi do meu umbigoE me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?E ele é o meu rapazMeu corpo é testemunhaDo bem que ele me fazO meu amorTem um jeito manso que é só seuDe me deixar malucaQuando me roça a nucaE quase me machuca com a barba malfeitaE de pousar as coxas entre as minhas coxas quando ele se deita
Ai
O meu amorTem um jeito manso que é só seuDe me fazer rodeiosDe me beijar os seiosMe beijar o ventreE me deixar em brasaDesfruta do meu corpoComo se o meu corpo fosse a sua casa, ai

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Fica à vontade - pt. 2

Chega de poema.

Encaixamos.

Seu cheiro, que já estava todo em mim, se espalhou por minha roupa, e pela sala toda. Respirei fundo e trouxe todo aquele aroma em mim. Senti certo arrepio ali, em meus pelos, todos. Tratei de não usar minhas mãos pra que outros sentidos viessem primeiro. No fim, não deu, te abracei por inteiro. 

Encaixamos.

Sabíamos dos panos entre nós e nem assim nos importamos. Mantive-te ali, estável. Envolvi-te a cintura com meus longos braços, até prender-te, toda, em pulso firme, como sim, sei que tu gostas.
Ainda não sei, ao certo, se foi sonho ou se seus olhos grandes vieram mesmo, tão pertinho ali, de mim.
O que eu, sim, sei, é que aquilo que disseram, sobre o tempo parar, passou a fazer mais sentido, agora.

Meu corpo é grande e, ao sentar, fica ainda maior. Seu corpo é lindo e doce e, ao sentar, fica ainda menor. De repente, de algum jeito, ali estamos. Sabemos, dali, não queremos sair, nunca mais. Penso no teu toque doce, em suas mãos bonitas, tua boca, e claro, em teus quadris. Nem sou capaz de escrever bem se lembro de como respiras, insisto ainda sim, pois tenho tempo.

Parou o tempo, a canção, a hora e a fala. Parou tudo o que estava em volta. Prendemos o ar por um instante, olhamo-nos nos olhos só mais uma vez. Segundos que viraram horas. Vi em ti mil personagens e estórias, mil poemas, mil canções. No ápice meti a mão em tua nuca, olhei mais firme, cheguei perto até sentirmos bem o ar de nossas bocas. Nem lembrando tão bem sei que fizemos isso. Sabendo que nos merecemos, não fomos capazes, jamais, de desviar o olhar por um sequer segundo.

Sim, poderia descrever aqueles segundos, por horas. Nem sei mesmo se foram segundos ou horas que estivemos ali, procurando por algo que a gente nunca soube que existiu. Por que é que as coisas têm que ser assim já que as feridas prometeram ser pra sempre e, por algum milagre do destino - pelo menos pra quem acredita - sequer existem ao te dar colo?

Temo sim, que essas palavras, façam pouco ou nenhum sentido. Sei que quem lê possui bem mais que quem escreve, e ah, se eu pudesse, ao menos, descrever.

Nossos mundos diferentes se fundiram então. Distâncias de anos luz se estreitaram, enfim. Dias se converteram em meses e uma semana é tão longa quando um faroeste caboclo. E quando chega a sexta estamos tão cansados, putos, exaustos, que só queremos morrer. Acontece que morrer contigo é bem melhor. 

E se estás cansada entra, vem, fica a vontade. 
Senta. 
Que encaixaremos e começaremos, sim, tudo de novo. 
Enquanto tivermos tempo. 
E temos.

Fica à vontade - pt. 1

Seria, de fato, impossível
Descrever o que é que foi aquilo
No fundo eu gosto, adoro, e ouso
Dizer que sim, que amo
Embora não possa contar

Então atravesso a noite
Bebo muito, e como, consumo
Como se não houvesse amanhã
Mas o que eu sei é que sempre
Como em toda noite em claro
Sempre há

Só que o amanhã de qual falo, 
Sol do meu girassol
Será diferente
Já que em teu olhar há de haver
Aquela luz de outro dia
Por que não dizer que sim
Que tenho em meu olhar também?
Além de lágrimas contidas,
Dor de traumas e emoções 
Que estão tão bem escondidos
Sabemos bem como são
Sabemos bem que é assim
Que a banda toca por aqui

Respiro fundo e lembro, bem atento
Confundo pensamentos, e palavras, e gestos
Nada disso pode ser mentira,
Eu sei que não
Já que tudo é tão real, de um jeito, que entendemos
Nunca, jamais, ter, assim, sido
Nunca foi

Então eu sei que nem cansada estavas
Mas imaginei ou disse,
Olhando claro, e firme
Bem, talvez com algum sotaque carioca
Se está cansada,
Vem
Fica a vontade
E senta.

Aí é claro, conhecendo você 
E tuas quinze personalidades
Procurando, de algum jeito, tua segunda
Ou talvez sendo, ali, apresentado
Só recebo, tranquilo e calmo, teu sentar










quinta-feira, 25 de agosto de 2022

À sombra de um vulcão

Porque Fagner machuca as 3h ou mesmo as 8h da manhã.


Nunca houve uma mulher como vocêEm milhões de anos-luz de solidãoMinhas noites novamente são azuisMinhas tardes são douradas de verão
Você é o meu paraísoA pessoa que eu tanto precisoCom loucura e paixãoEu rezo com o teu olhar
Eu gozo com a tua vozEsse amor arrebenta com tudoParece até que o mundoNão sobrevive sem nós
Nunca houve uma mulher como vocêEntre tantas que já tive em minhas mãosEu preciso acreditar que sou felizMas persigo os teus mistérios como um cão
E tudo parece tão claroE tudo parece perfeitoMas quando acordo e me vejoO espelho diz que não
Quem sonha contigo, molha a camaQuem te ama, dorme à sombra de um vulcãoQuem sonha contigo, molha a camaQuem te ama, dorme à sombra de um vulcão
Parece até que o mundoNão sobrevive sem nós

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Pirata

Agora é fim de verão e as cores começam a mudar. E mesmo gostando mais daquelas do outono, não ousaria reclamar. O nascer do sol segue sendo potente para mim, daqui das montanhas ou de frente pro mar. 
É quando o dia começa que meu corpo clama: socorro. Posso precisar desesperadamente de um copo d'água, um café forte e quente, ou horinhas de sono. Só o que eu faço é entregar, pra saciar a mente e voltar a viver. 
Meu nível de loucura varia, a depender do dia e da substância. Isso inclui sutis diferenças entre vinho tinto ou meu chá preferido. Ou os dois, não necessariamente nessa ordem. 
Insisto em parafrasear o poeta: Minha religião é o prazer.
Aí é quando o gradiente sunburst acontece que solto o disco, deixo rolar. Me consumo, me exploro, choro, desabafo com a folha em branco. Toda harmonia me entende bem, até mesmo o silêncio.
Penso em todos os registros perdidos que aqui deixo à disposição. Respiro fundo e desejo que, um dia, sejam encontrados feito a carta na garrafa: por quem realmente anseia encontrar o tesouro.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Art

Eu olho para a sua roupa
Admiras meu estilo
Permito-me perder-me em teus olhos
Ao assumir o volante
Levar-te aos mesmos lugares
Onde nós, amantes, somos
Desafiamos a platéia
Já que você não resiste
Se te pego pela boca
E pela língua
Ainda que com vergonha
Queres que te faça toda
Ali mesmo, bem na mesa, 
E onde quiseres, sabes, faço

A arte é bem potente, aqui, entre nós dois
Perigosa ainda que estejamos sem medo
Existe uma mistura entre sentidos
Cheiro, toque, voz, e gosto
Já que nos olhamos assim, tão profundo
E no fim estamos, sim, 
Total entregues.

Porque seu talento com as mãos 
É inexplicável
E meus dedos fazem tudo o que tu queres
Sei que gostas
Atendo assim, a música, também
Como se fora meu ofício, talvez
Mas se trazes tuas ideias e viagens
Estamos em Madri no mês que vem

No fim, Chico Buarque, é quem nos guia
Trocamos em miúdos, nossas dores 
Pois só sei escrever alexandrino
Mas gosto de você para um caralho
E é isso o que ele, fato, não previa

Não posso me perder mais nessa vida
De tantas vezes que fui e voltei
Alimento minhas drogas mas troco
Revoadas por teus olhos
Tua cor, tua pele, tuas palavras
Que ainda que raras, acontecem

Me ponho em choque por toda a vida
Dezembros nunca serão o bastante
A balada de agosto me pega
O poema nunca acaba
E o nosso lugar não mais existe
Somos uma entidade
Perdida em nossos próprios mundos
Por todo o sempre, e enquanto for

Manifesto sobre a vida do artista

Este texto sempre me dói. Porque ele sempre surge nos piores momentos, o que quer dizer: quando deve surgir.

Marina Abramović - Manifesto sobre a vida do artista

Que é para eu nunca esquecer...


1  a conduta de vida do artista:

-O artista nunca deve mentir a si próprio ou aos outros

-O artista não deve roubar ideia de outros artistas

-Os artistas não devem comprometer seu próprio nome ou comprometer-se com o mercado de arte

-O artista não deve matar outros seres humanos

-Os artistas não devem se transformar em ídolos

-Os artistas não devem se transformar em ídolos

2 a relação entre o artista e sua vida amorosa:

-O artista deve evitar se apaixonar por outro artista

-O artista deve evitar se apaixonar por outro artista

-O artista deve evitar se apaixonar por outro artista

3 a relação entre o artista e o erotismo:

-O artista deve ter uma visão erótica do mundo

-O artista deve ter erotismo

-O artista deve ter erotismo

-O artista deve ter erotismo

4 a relação entre artista e sofrimento:

– O artista deve sofrer

-O sofrimento cria as melhores obras

-O sofrimento traz a transformação

-O sofrimento leva o artista a transcender seu espírito

-O sofrimento leva o artista a transcender seu espírito

5 a relação entre o artista e a depressão:

-O artista nunca deve estar deprimido

-A depressão é uma doença e deve ser curada

-A depressão não é produtiva para os artistas

-A depressão não é produtiva para os artistas

-A depressão não é produtiva para os artistas

6 a relação entre o artista e o suicídio:

-O suicídio é um crime contra a vida

-O artista não deve cometer suicídio

-O artista não deve cometer suicídio

-O artista não deve cometer suicídio

7 a relação entre o artista e a inspiração:

-Os artistas devem procurar a inspiração em seu âmago

-Quanto mais se aprofundarem em seu âmago, mais universais serão

-O artista é um universo

-O artista é um universo

-O artista é um universo

8 a relação entre o artista e o autocontrole:

– O artista não deve ter autocontrole em sua vida

- O artista deve ter autocontrole total em relação a sua obra

- O artista não deve ter autocontrole em sua vida

- O artista deve ter autocontrole total em relação a sua obra

9 a relação entre o artista e a transparência:

– O artista deve doar e receber ao mesmo tempo

-Transparência significa receptividade

-Transparência significa doar

-Transparência significa receber

-Transparência significa receptividade

-Transparência significa doar

-Transparência significa receber

-Transparência significa receptividade

-Transparência significa doar

-Transparência significa receber

10 a relação entre o artista e os símbolos:

– O artista crias seus próprios símbolos

- Os símbolos são a língua do artista

- E a língua tem que ser traduzida

- Às vezes, é difícil encontrar a chave

-Às vezes, é difícil encontrar a chave

-Às vezes, é difícil encontrar a chave

11 a relação com o silêncio:

- O artista deve compreender o silêncio

- O artista deve criar um espaço para que o silêncio adentre a sua obra

- O silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

- O silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

- O silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

12 a relação entre o artista o artista e a solidão:

-O artista deve reservar para si longos períodos de solidão

-A solidão é extremamente importante

- Longe de casa

- Longe da família

- Longe dos amigos

- O artista deve passar longos períodos perto das cachoeiras

- O artista deve passar longos períodos perto dos vulcões em erupção

- O artista deve passar longos períodos olhando as corredeiras dos rios

- O artista deve passar longos períodos contemplando a linha do horizonte onde o oceano e o céu se encontram

- O artista deve passar longos períodos de tempo admirando as estrelas no céu da noite

13 a conduta do artista com relação ao seu trabalho:

-O artista deve evitar ir para o seu ateliê todos os dias

-O artista não deve considerar seu horário de trabalho como o de um funcionário de um banco

-O artista deve explorar a vida, e trabalhar apenas quando uma ideia se revela no sonho, ou durante o dia, como uma visão que irrompe uma surpresa

– O artista não deve se repetir

- O artista não deve produzir em demasia

- O artista deve evitar poluir sua própria arte

- O artista deve evitar poluir sua própria arte

- O artista deve evitar poluir sua própria arte

14 as posses do artista:

Os monges budistas entendem que o ideal na vida é possuir nove objetos:

1 roupão para o verão

1 roupão para o inverno

1 par de sapatos

1 pequena tigela para pedir alimentos

1 tela de proteção contra insetos

1 livro de orações

1 guarda-chuva

-1 colchonete para dormir

1 par de óculos se necessário

– O artista deve tomar sua própria decisão sobre os objetos pessoais que deve ter

– O artista deve, cada vez mais, ter menos

– O artista deve, cada vez mais, ter menos

– O artista deve, cada vez mais, ter menos

15 a lista de amigos do artista:

- O artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

- O artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

- O artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

16 os inimigos do artista:

– Os inimigos são muito importantes

-O Dalai Lama afirmou que é fácil ter compaixão pelos amigos; porém, muito mais difícil ter compaixão pelos inimigos

- O artista deve aprender a perdoar

- O artista deve aprender a perdoar

- O artista deve aprender a perdoar

17 a morte e seus diferentes contextos:

– O artista deve ter consciência de sua mortalidade

- Para o artista, como viver é tão importante quanto morrer

- O artista deve morrer conscientemente e sem medo

- O artista deve morrer conscientemente e sem medo

- O artista deve morrer conscientemente e sem medo

18 o funeral e seus diferentes contextos:

– O artista deve deixar as instruções para o seu próprio funeral, para que tudo seja feito segundo a sua vontade

– O funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida

- O funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida

-O funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Eastern world

And so you're there
That's the other side of the world
How come?
I still write the same old words
Surprisingly as f*
I can still respect 
Our old metrics
As we used to write
When we were just young lovers
How dare I challenge you
Of course
I miss it
No other than our talk
Our smell
Our days
Your clothes
Your skin
Your
See you next Tuesday.
And that's my best joke 
Of all time.
All time you've been away.
Why have you decided to show up
I ask myself but well
You know
I'd rather spend all those days
By the edge
On the road
Because Dubai is just over there
Like the tip
Of my tongue
And cause no matter
Where we're at
It will always be
Like that.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Still got it

Seus olhos são grandes
Uma armadilha para os meus, de índio
Seu toque é leve, macio
Seu beijo é doce até entre gemidos
Se misturando então, sem jeito
Com minha força bruta
Quando seguro firme seu rosto
E faço de ti o que quiser
Vôo longe entre memórias 
Crio novas
Onde bagunço seu cabelo
Seu horário e sua dignidade
Assumo novos nomes, 
Te chamo como quero
Mando, domino, acerto
Só pra te ver sofrer
Como gostas
Quando vejo, felinos, somos
Farra no telhado
Gritos, luzes, sombras
E a emoção canceriana se alinha com gêmeos
Me tiram da terra
Me agarro em nossos capricórnios
Sei que é sem querer
Mas sim, já estou lá
Onde, curiosamente,
Também sei jogar.
Depois,
Já são quase duas
A noite não me deixa, 
Nunca
E cá estou eu escrevendo poemas
Que por azar ou sorte, você não há de ler

Preciso voltar.

Devia estar trabalhando
Mas a máquina de escrever mais me atrai
Me permito, e assim, sigo. 


sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Duas e meia

Um amigo, certa vez, me disse com todas as letras. Além, é claro, de todas as lições que me deu, essa:

 - Nada de bom acontece depois das duas e meia da manhã.

E pra quem vive da noite, na noite, e pra noite, isso faz todo o sentido. Sei que todos hão de concordar.
Mas o que ele não me disse é que, sim, há uma barreira. 

Eu chamaria de: a barreira das três e quarenta.

Não, por favor, não pretendo quebrar a regra das duas e meia. Só quem conhece, sabe. 
Por favor, faça esse favor a si mesmo, não fique. 
Se nada deu certo até as duas e vinte e cinco, corra. 
Fuja. 
Porque suas chances já estavam baixíssimas e, a partir de agora, elas só ficam menores.

Entretanto, meu amigo, minha amiga, todos os gêneros...

Se as coisas foram bem, aí sim, lhe sugiro que fique. 
Faça um teste, dê uma chance, pague pra ver.
Se as coisas foram bem e ali, antes das duas, você já estava sorrindo - seja lá como for.

...

Estique até as três e quarenta e se surpreenda. 

Porque nada, absolutamente nada, pode dar errado a partir de então.
Vai por mim.
Os portões já se fecharam, as chamadas se encerraram, os ingressos se esgotaram. 
Já foi!
É só partir pro abraço e, não importa. De qualquer maneira, onde você está, é onde deveria estar.

O que eu mais quero é imaginar, ou até desejar, que esteja você 
no meio de tudo, e apesar de tudo

Na beira do mar [ou]
Olhando pro céu [ou]
Ouvindo seu som [ou]
Riscando o papel [ou]
Mandando um do bom [ou]
Lambendo o batom [ou]

Há ainda, tantas, tantas formas de saber.

Que no fundo, lhe desejo, quem quer que você seja

Às quase quatro

Você percebe, sim, que sua vida vale a pena.
E que naquela noite, se tudo tivesse que acabar, teria permissão concedida. 
Por você.

Afinal, depois das duas e meia, nada de bom pode acontecer.

E até as três e quarenta. o que tinha de ser, definitivamente

Será.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

O tempo é que vai resolver

Era tipo oito da manhã. Algumas travestis dormiam na mesa. Alguns caras xingavam alguns desafetos e estavam na iminência de começar a terceira guerra mundial.
 
E aí aconteceu a revelação. 

A tv do boteco tava ligada. Duas apresentadoras em um programa jornalístico matinal. E elas eram lindas e estavam bem vestidas e maquiadas. E eu fiquei me perguntando: Como assim, porra? A essa hora da manhã? Que hora essas mulheres lindas foram dormir para estarem a essa hora da manhã apresentando impecáveis essa porra de jornal, falando sobre trânsito, sobre Previdência social e sobre previsão meteorológica? Que tipo de vida elas levam? Quem são os maridos delas? Quem são os namorados delas? Que horas elas trepam com eles? Às oito da noite? 

Fiquei pensando que as pessoas levam vidas muito corretas e que talvez elas sejam felizes levando vidas assim. Fiquei pensando que o errado sou eu que levo essa vida torta e talvez por isso escreva sempre esses textos melancólicos desprovidos de esperança. 

Essas pessoas não pensam como eu, não escrevem como eu, não sentem as coisas da maneira que sinto. E fiquei pensando que eles é que estão certos. Não, eu jamais pensaria que eles estão errados. Eu sempre achei que o errado era eu. E hoje tive a certeza disso olhando para aquelas duas apresentadoras lindas e impecáveis. 

Não há nada que eu possa fazer. Não há nada que eu queira mudar. Talvez eu tenha sorte de levar essa vida torta. Ou talvez não. Talvez eu esteja mesmo desgraçado. O que eu entendi é que cada um deve levar a vida do jeito que é possível, do jeito que ela nos é presenteada. Ninguém está certo ou errado. Você só tem que escolher de que lado da estrada quer ficar. 

Eu já escolhi há muito tempo. 

Não é o melhor lugar. É só onde eu posso ficar. Onde consigo me sentir bem vindo. Onde ainda posso escrever a minha história sem que algum merda de revisor venha adulterar as minhas falas aparentemente sem sentido. 

E fui dormir tranquilo. 

Assim como aquelas duas lindas apresentadoras que já devem ter chegado em casa a essa hora. E devem ir dormir às 10 da noite para estarem previsivelmente impecáveis às 6 da manhã de amanhã nos informando sobre o trânsito, sobre previdência social, ataques terroristas e previsões meteorológicas. 

Em algum momento todos iremos descansar. Por alguns minutos, algumas horas ou de uma vez por todas. Vamos só aproveitar o tempo antes que o tempo acabe com todos nós. 

E ele vai acabar. 
Mais cedo ou mais tarde. 
Só isso é certo. 

Texto de Mário Bortolotto, outro daqueles já escritos tantas vezes na cabeça. Todos os direitos reservados ao autor. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Gemini

Não há solução
Nem curandeiro
Nem batuque
Nem confusão

Nem mudança de vida
Nem outros planos
Nem seus orixás
Nem guias
Que resolvam 
Quando Gêmeos
Resolve entrar
No seu caminho.

Mas que puta que pariu de roda estaria eu fazendo aqui neste caralho?

Que onda.
E a vida me desafia 
e eu topo 
porque Benjamin Button é assim.

Aí eu me vejo ali, 
No fogo cruzado
Enfrento o passado
Entrego os velhos traumas
Dou lugar aos novos
E o trem vem e quer me levar pra longe
Compro os tickets
Pago o preço
Mas no final, é claro
Eu sei que não vou
Porque não vou fugir

Não vou.

Me lembro da onda de Libra
E depois quando veio Leão
Até Capricórnio tentou, veja só
Talvez um pouco de Escorpião
E no final, caí onde não devia
No fragmentado
Nas mil e uma personalidades
Mas assim, também, são possibilidades
E eu gosto do estrago
Always did.

E quando existia o muro de silêncio
E que eu nem sabia muito bem o que fazer com isso
E sofri
E chorei
E
E
E...
As reticências nunca acabam
Tudo isso só para dizer
Que todos esses sentimentos não valeram nada no final

Para que eu possa me encontrar feliz hoje
Exatamente onde
E com quem
Sempre estive

Comigo.
O único gêmeo de mim mesmo
E já que único Gêmeos do meu mapa
É quiron
Aquela ferida que nunca sarou, e nunca sara
De vidas passadas

Quem sabe agora?

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O céu do 31

Enquanto a orquestra se preparava
Havia um sorriso branco, 
Brilhante, bonito
Sobre um pano de fundo roxo, laranja e rosa
Naquelas cores de inverno

E eu, claro, me distraí
Perdi certo tempo ali
Melhor diria, ganhei
Atônito olhando, em choque
Tal qual a primeira vez 
Que vi um sorriso assim

Voltei pra terra, mas não desci
Pensei na posição dos astros
Na conjunção dos planetas
Constelações, estrelas, cometas

E em nós, arrogantes grãos de areia
Irritados por razão qualquer
Eu era um grão de areia
Que do pó vim e ao pó voltarei
À ressaca

Até aquela voz dizer
Que hoje era trinta e um
De julho e tudo, veja só

Então me veio a Luiza 
[que ao escrever, me faz pensar em francês, mas essa é outra história]
Do Tom, e de mim, desde sempre
Naquele ano, em Áries
Redonda e amarela
Nua

E como tudo branco, naquele fundo preto
Na frase de efeito
Do bolero à cadelinha sorrindo, 
Delicada em seus joelhos

O céu de 31 nunca mais será o mesmo