sexta-feira, 2 de julho de 2021

Red

Meu compromisso com a coerência continua implacável.

Quantas vezes será que ainda vou escrever sobre isso ao longo da minha vida?

Sobre minha hipocrisia em esperar que façam tudo certo quando eu, majoritariamente, venho fazendo tudo tão errado. 

Sobre reconhecer o erro. E continuar enfiando o pé no monte de merda das mais diferentes maneiras que uma mente criativa já foi capaz de criar.

Dessa dificuldade em ver uma mulher chorando e não fazer exatamente tudo, tudo o que ela pedir. E então, em virtude disso, só conseguir resolver as coisas graves dessa maneira abrupta, grosseira, hostil.

A inexplicável habilidade de sair do palco sem derramar uma lágrima.

Por mais profundo, o corte.

Por mais dolorida, a porrada.

Por mais humilhante, a cena.

Não demonstrar sentimentos não implica em qualquer frieza. É só que é assim, tem sido assim, foi assim agora, e claro, ainda vai ser muito assim.

Sigo esperando coerência. Você não me entrega, e isso nos destrói. Então o padrão se repete, mais e mais...

Cada um tem suas razões para falhar no meu caderninho. Cada um, à sua maneira, vai cair na minha armadilha mental do "te peguei".

Não consigo evitar.

Amarro tudo o que sei, pergunto o que preciso, investigo o que (ainda) não tenho, traço, planejo, organizo, mas não sou vilão. Juro. Pondero tudo, claro, quando quero.

Mesmo assim, depois de tudo, se estou coberto de razão, nem faço escândalo. Saio de fininho. Desapareço. 

Alvoroço nunca foi do meu feitio. Muito menos no território inimigo.

Há quem chame de desrespeito. Normalmente, gente que pede respeito é gente desrespeitosa. Quem respeita sabe respeitar. E recebe em troca. 

Quando ofende, é muito mais sobre o ofendido, do que sobre o ofensor. 

Levanto da mesa, coloco meu chapéu, ajeito meu terno, e queimo o chão. Faço rastro. Rápido o suficiente pra só ser rastreado por quem eu quero, quando eu quero. 

Sento no balcão, peço um bourbon, dou o tiro e o fundo do copo me saúda:

Bem vindo de volta. 

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