quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Cowboy


Em algum momento tive que entender que, por mais lindo que seja, que fosse ou que tivesse sido, o tempo fez se desencontrarem as coisas. E ainda por mais bem resolvido que pareça, foi um entendimento doloroso, profundo e cruel. Dói pelo tanto que foi bom. Dói tanto pelo bom que nem foi. Que nem chegou a ser. 
Também tive - e ouso dizer, tenho - que entender, e processar, mastigar e engolir, toda manhã, após acordar de qualquer versão do mesmo sonho e ficar ali, me questionando diversos porquês, por minutos que vêm como horas. Até a rotina da simpatia do trabalho me sequestrar e só me devolver a noite, destruído, sem qualquer energia pra deixar o choro sair. 
Porque a vida me deu cicatrizes e traumas que aqui estarão para sempre. Entendo também que, afinal, isso não é nenhuma exclusividade minha. Não desejo tal sofrimento a ninguém. Contudo, se alguém não passou por nada disso, como os poderia compreender? 
Por isso me concentro, sim, em entender - mais uma vez - essa limitação em observar o universo do outro, e o lamentar que sempre aparece no final, tão pobre em sentimento, palavra e compaixão. Ninguém lamenta de verdade se não pode imaginar, nem de perto, o que está acontecendo.
Tento também explicar, de alguma forma, como tudo me parece razoável e, por isso, não há razão para levantar um dedo mas que, apesar disso, me quebra inteiro por dentro como uma vidraça de filme americano, em pedacinhos, que eu já aprendi que nunca mais podem se juntar.

Começo as frases e sequer as termino. Penso no velho Buk, e que talvez uma dose de uísque sem gelo ás oito da manhã me faria colocar as palavras nos seus devidos lugares.

Me releio e não estou fazendo muito sentido. Reconheço também que, lá na frente, vai fazer menos ainda.

Ainda bem.

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