sexta-feira, 20 de agosto de 2021
Gente feliz
Lance Legal
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
NZ 1557
terça-feira, 17 de agosto de 2021
Você em mim
por Guilherme Arantes, meu eterno, com quem me sinto feliz em dividir uma época e um planeta, a lá Carl Sagan
Morrendo de vontade de te ver
Lembrando tanta coisa que ficou
E nada ocupa o seu lugar
O tempo passa e só faz aumentar
Você em mim
Que agora posso compreender/ o quanto foi
Realidade o encanto entre nós dois
E em tantas vidas que eu vivi
Meu desejo é ter você aqui
Pra sempre enfim
Que me deu a luz
Que eu não enxergava mais
Em você
O mundo sorriu
Querendo viver
Fazendo esquecer
De olhar pra trás
Que o destino me podia preparar
Uma surpresa em sua vida de uma vez
E dessa vez vir pra ficar
Com tanto amor que eu tenho pra mostrar
Você em mim
sábado, 14 de agosto de 2021
Rodoviária
Me lembro como se fosse hoje, inclusive com clareza de detalhes, daquele dia que, certamente, não aconteceu em tempos de pandemia.
Me lembro dela.
Como sempre, cheguei primeiro. Jamais me daria ao luxo de perder um só segundo do momento, muito menos por pura displicência, imagine. Prefiro ganhar na absurda insistência do que entregar os pontos para o atraso das empresas de transporte.
Quando vi seu ônibus fazendo a curva, lá embaixo, na esquina, quase nem acreditei. O corpo gelou, garganta fechou, coração acelerou.
Na hora.
Uma escola de samba inteira no meu peito. Como é possível? Em uma daquelas cinquenta poltronas ela estaria e, de alguma forma, eu não podia lidar muito bem com isso.
Eis que o motorista encosta na plataforma e eu, que até então fingia naturalidade, não aguentei. Levantei e fui logo pra perto esperá-la descer aqueles degraus que, já há certo tempo antes, eu havia profetizado que me fariam perder o ar e, eventualmente, a dignidade.
Força da expressão? Dito e feito.
Ela desceu e eu fiquei em choque. Travei. (Coisas que só uma rodoviária faz por você, pensei). Não deu nem pra decorar o nome escrito no ônibus, pra agradecer.
Ela era pequena. Menor do que eu havia imaginado, o que me fazia ainda maior do que ela poderia desejar. Sua meia calça trazia tudo o que precisava guardar entre a bota e o shorts jeans, um pouco rasgado, além da jaquetinha e do cabelo nem-preso-nem-solto que sempre me alimentou tantos tipos de pensamento.
Só deu mesmo pra tentar fazer a minha melhor pose, que em alguns instantes foi por água abaixo. Já estava entregue, vidrado. Babando.
De repente ela veio em minha direção e, como num filme, corta.
Já estávamos ali, frente a frente. Olho no olho. Respirando um único ar.
Congelamos.
Seus olhos bonitos e brilhantes encontraram os meus pequenos e atentos à forma como os dela tremiam ligeiramente. Sentia o corpo inteiro tremer e já nem tentava mais disfarçar. Ela sorriu, eu sorri. Sorríamos, bobos, porém não hesitamos, e aconteceu.
Aquele foi o abraço mais intenso e profundo que eu nunca dei.
E ali ficamos, por minutos, sem falar uma só palavra.
Abraçados. Grudados. Ligados. Finalmente!
Cena de novela, mesmo.
Enquanto todos os transeuntes e passageiros com suas malas, maletas e bolsas, passavam ao redor do nosso abraço, o som das rodinhas se arrastando pelo piso, também o som das conversas, dos nomes de filhos gritados pelas mães da América latina, e da voz aleatória nos auto-falantes anunciando as próximas chegadas e partidas...tudo isso, simplesmente silenciou, entrou no mudo.
Ainda nos apertávamos bem forte e nos mantínhamos encaixados ali, em pé. Meus braços longos envolviam suas costas e cintura, e seu corpo se aconchegava no meu peito. Trocávamos nossos perfumes como se troca de corpo, e sentíamos duas almas dançando naquele silêncio.
Era ela e só.
No dia em que tudo mudou.
O dia que não nos disse quando seria, quando foi, ou quando vai ser.
Um dia.
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
O oposto do amor
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
Fortaleza
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
O trouxa e o mau-caráter
Sempre foi muito mais difícil lidar com a fragilidade das pessoas do que com o mau-caratismo. Talvez por um senso interno de justiça, de não conseguir aceitar ser humilhado, nem que outras pessoas sejam humilhadas...não sei. Nunca suportei ouvir as histórias onde pessoas foram enganadas, ludibriadas, feitas de trouxa. Era de embrulhar o estômago. Tomo as dores. Pego ranço. Vou junto.
Em oposição a isso, o mau-caratismo sempre me pareceu muito mais honesto.
Explico.
Aquele vilão de novela, série ou filme, que a gente tem raiva, sobe o sangue, enche a boca pra gritar: canalha! A gente sabe que ele está por aí, e sabemos mais: estão aos montes. Em todos os lugares. A parte da honestidade à qual me referi é que, assim como na tela, certas vezes é fácil identificá-los. Você olha pr'aquele ou aquela e pensa: mas que grande filha da puta!
Essa gente sempre se safa, é impressionante.
Surreal.
O que me soa, definitivamente, imperdoável, é a migração. Normalmente do papel de trouxa, para o de mau-caráter. Coisa de personagem, mesmo.
O contrário também, porque a vida tem seus ciclos, mas esse é assunto para outra hora.
O coitadinho que sempre foi enganado, usado, feito de idiota...bem, não era tão coitadinho assim. O destino é implacável e, como diz a sabedoria popular, existem sempre três versões de uma mesma história. Entretanto, somente uma delas é a verdade.
A verdade é invencível.
E ela aparece. Você pode botar a culpa em quem quiser: nos astros, no karma, dívida de outras encarnações. Enquanto você não tiver um compromisso real com o que você é, honesto sobre quem já foi, e aberto para quem pode vir a ser...vai meter os pés pelas mãos.
A verdade é a verdade, e só ela é capaz de mostrar às outras duas versões da história quem são eles:
O trouxa e o mau caráter.
Não gosto de ser feito de trouxa, não nasci pra isso, sem a menor vocação. Mas tem uma coisa que eu gosto menos ainda: gente mau-caráter que se coloca como trouxa. A troco de conseguir credibilidade, porque é bem difícil pra quem cresceu num meio moralista como o nosso, virar e dizer: fui filha da puta sim, porque eu faço o que eu quero, e acabou.
Pra ser canalha é preciso, antes de tudo, saber assumir. Segurar o seu rojão. Vai dar merda, e quando der merda, você vai olhar e dizer: foda-se.
Perdoem-me o vocabulário chulo.
Se você me conta uma história onde foi feito ou feita de besta, olha...eu vou ficar bem puto, por você, e com o malfeitor. Porém, se eu descubro que no fundo você é só um canalha que não dá conta de resolver os seus dilemas...aí, eu lamento. Não muito, mas lamento.
Você está sozinho nessa.
Trouxa.
E mau-caráter.
terça-feira, 3 de agosto de 2021
Fica
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
Check
Não era possível que você iria querer jogar, não de novo. Logo comigo?