sábado, 22 de agosto de 2020

Ême

Muito menos medo
Movimentos mágicos
Maratona, milhas
Místico, mas, merecemos
Mera madrugada
Meretrizes, menestréis
Maravilhosos mundos
Mastro macio, 
Mando, mexo
Muda muito, muito 
Mesmo
Me mede, maravilhada
Monumental
Mama, monta
Marca, machuca
Morde, mancha, 
Mantenho
Maltrato
Mutilo
Manejo
Me mato
Mutuamente
Morremos.






quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O jardim do rei

O sol brilhava 
Tão bonito
O céu azul
E aquela gente
Toda ali 

Via no fundo
A arquitetura
E aqueles prédios
Tão bonitos, também
Dos jardins
Que eram do rei
E da rainha
E meus, e seus

Então chegou
Perto de mim
Papai, mamãe
Filha e bebê
E me deram
Uma folha
Dessas grandes
Amarelas
Toda seca
Bem, bem bonita

Agradeci
Sorri, acenei
Guardei ao lado
Olhei a frente

E a vi também
Já que 
Em todo sonho
Que é do bom
Aquela boca
E os olhos grandes
Aparecem
Por que será?

Pensei depois.

Os meus amigos
Então, os mesmos
Só me olhavam
E sorriam
Como sempre

Balançamos a cabeça
Confiantes, invencíveis
E voltamos para eles
Que cantavam
Que sorriam
Era lindo
E era calmo

Dava pra ver
A alegria de viver
E de cantar
Dançar, sorrir
A alegria
De estar ali
Simplesmente
Por estar
Ali


sábado, 1 de agosto de 2020

Deus

Essa noite, foi difícil rezar. Certos dias só são mais duros que outros, e está tudo bem, no geral. 
Com a cabeça agitada e pensante, voltei direto para aqueles anos esquisitos da adolescência, quando - pela primeira vez - ouvi falar dos mistérios. 
Lembrei-me com carinho e cuidado da disputa ferrenha de sentimentos dentro daquele "eu", de quatorze, quinze anos. Recordo e agradeço por ter tido pessoas que abriram meus olhos e minha mente no momento em que mais precisei.

Ah, espera...agradeço a quem?

Certas noites só são mais duras que outras. E essa, definitivamente, havia sido uma delas.

Sigo então voando pelo passado até o momento em que percebi: algo não encaixava. Acreditar em um só ser como uma força maior não fazia sentido, uma vez que eu podia sentir a vibração de todas as coisas, pessoas, organismos à minha volta. 

Eu lembro! 

Infinitos e incontáveis universos. Todos aqui, ao redor do meu. Se aquilo não fosse algo superior, o que haveria de ser, então?

Apesar de tudo, existem momentos em que você só quer conversar. Saber que alguém está ali, te ouvindo, olhando por ti e te ajudando, da forma que for, sem se importar tanto com os detalhes. É confortante ter um pai para poder pedir ajuda a qualquer momento. 
Só quem não teve, sabe. 
E lá estava eu, então, fazendo o sinal da cruz e dormindo no meio dessa conversa. 

Desabafando com o Deus que criei por conveniência.

Transporto-me, por fim, para determinadas vezes em que me afastei daquele que chamava de Deus. E curiosamente, isso não tem a ver com os momentos de conquista - que é quando normalmente acontece com o religiosos em geral. Durante minha boa relação com o Cara lá de cima, também costumo agradecer, afinal, esse é um dos mistérios: as coisas acontecerem por uma determinada razão e, de certo - repito - a tal da força maior está por ali.

Mas e aí...e quando parece que não está?

Veio então em minha cabeça - vieram muitos pensamentos nessa madrugada - os argumentos dos ateus fervorosos. Enquanto pensava no barulho dos tiros, no som das pessoas chorando e no tremor das bombas, pensava no discurso: "Se Deus existe mesmo, e é um ser bondoso, por que não salva as pessoas em guerra no oriente médio? Por que não dá comida aos famintos todos?". Esse deus não parece se importar. 

Essa noite, foi difícil rezar e não me sentir um idiota. 

E antes de dizer que é blasfêmia, bem...se Deus permite tudo isso acontecer, de certo que ele vai entender.