Me lembro de quando li uma certa biografia de um certo artista, pra ser o menos específico que eu puder, e de ter me identificado de certa maneira com um certo trecho.
Tá bom, chega de más referências.
O ponto aqui é que eu gosto do álcool. Ao longo da vida cada pessoa tem a oportunidade de experimentar todas as drogas que puder e escolher aquela que prefere mais do que as outras.
Tenho amigos que fumam maconha e são verdadeiros amantes da erva, em suas inúmeras formas de consumo. Eu nunca consegui. Até achei um jeito de culpar o signo: o verde é para pessoas que se permitem viajar, sair do plano, ir para outra dimensão. Não serve para um ser tão terreno, como sou.
E o artista contava em seu livro como o uso da heroína o fez perder certas memórias. Entretanto, não estou falando de esquecer uma fala ou uma parte da música.
Aliás, não sou nem eu que estou falando, é ele.
Pois bem.
Dizia então que não esqueceu um trecho, ou uma apresentação, não. No ponto alto, ou no auge, como dizem, do uso da droga, fez turnês inteiras sem sequer se lembrar. Imagine! Em algum momento, você acorda na sua casa e acabou de voltar de uma sequência de mais de quarenta cidades, em diferentes países, cheio de dinheiro no bolso. E não se lembra. De nada.
É isso.
A parte triste de ter apego, seja ao álcool, ou a qualquer tipo de droga, é que na hora que você precisa, ninguém te dá qualquer credibilidade. Nenhuma, pode tentar. Falo com propriedade porque já passei por isso tantas vezes. De não poder opinar porque, afinal, estava tão bêbado, que não podia dizer com clareza o que aconteceu.
Mas eu sei. Eu sei.
Eu sei o que eu vi. Eu sei o que eu ouvi. Eu sei o que aconteceu. Eu me lembro.
Não, eu não estou louco. Eu não sou um bêbado. Eu só estava bêbado.
E por isso, sim, eu sei o que eu vi e o que eu percebi.
Com tempo e com experiência, o limite entre a embriaguez e a sanidade, entre a lucidez e o entorpecimento, vai ficando cada vez menor, cada vez menos distante. E por isso as reações são quase que as mesmas que alguém teria se estivesse são, uma vez que sua capacidade de administrar já é bem avançada.
O problema é explicar. Porque no fundo, ninguém, ninguém entende. Ninguém acredita.
Como se houvesse um outro mundo entre o real e o que você interpretou.
É uma humilhação dupla. Quando se é humilhado na vida real e, ao tentar lutar, se é humilhado pelo seu estado questionável.
Por isso sigo. Abro uma cerveja. E mando essa gente careta para o inferno, o lugar onde, para mim, já estão faz muito tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário