Ninguém vai decidir
A vida vai fazer
O que ela há de fazer
Responsáveis? Não há.
Ou culpados, tampouco
Merecemos distância
Precisamos de espaço
Fazemos o possível
E eu busco acreditar
Que é tudo o que fizemos
Vomitando palavras
Reconheço a mim mesmo
Controlando meus versos
Capricho aqui na forma
Já que não me conformo
Caminho pela noite
Caminho pelo dia
E o que tem que ser feito
O faço com cuidado
Pra não enlouquecer
De abrigo, eu sei, preciso
Mas sigo bem sozinho
Semana após semana
Me vejo, assim, turista
De fora, quase um gringo
A coisa de esquecer
Confundir, e não ver
Chegou com a idade
Cometo uns erros bestas
Não aprendo mais nada
O poeta está vivo
Essas teclas nem tanto
Ninguém dorme tranquilo
Tentamos acertar
Erramos já do início.