segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Porto

Às vezes é setembro
E quando você pisca
Já foi

Acabo que em Janeiro, enfim
Recebo uma visita ilustre
Daquelas de meio de noite
Que chegam no cais de Jessé
E que a gente não sabe
Se vêm pra ficar

Já falei tanto nesses cadernos
Sobre belíssimas obras
Surgidas da dor
Folheie pra verdes
Verás

Pois bem, então, chegou
Trouxe também aquele amargor na boca
Ao acordar
E claro, a sempre bem-vinda solidão

Entra, senta, fica a vontade
Que já sabemos do outro tão bem
Que você nunca erra o endereço 
E sempre que vem
Me faz vomitar
Palavras
Pensamentos
Emoções

Só que depois, vai embora
Brinca comigo
Me faz içar velas
Repousar penas
Eu que sempre me acostumei 
a te ter 
aqui

Me lembro dos dias obscuros
Em que nos escondíamos de dentro pra fora
E escrevíamos nas notas camufladas 
de receitas de bolo
Pra que o mundo não descobrisse 
O quanto queríamos
que fossem revelados
nossos segredos

No mais, obrigado, 
Muchas gracias, 
Thank you, tack
Por estar por perto
Me lembrando 
tanta coisa