Na verdade, sim, eu podia.
Eu acreditava.
Se a gente desconfia de algo, de certa forma, é até melhor quando - no final - descobrimos que é verdade.
Dói.
Mas dói menos do que aquela incerteza, a dúvida, a insegurança, que nos faz cavar até o ponto mais fundo, até a rocha mãe.
Até então, finalmente, encontrarmos a verdade.
Porque as pessoas pensam que podem enganar as outras e porque o tentam. Porque, segundo elas, "Nem tudo que não é verdade, é mentira".
...Hello?
Estava tudo lá. Mas não assim, de mão beijada, de bandeja, pronto para quem quisesse ver.
Não.
Foi preciso um pouco de sagacidade, estratégia e, eu diria, até um pouco de frieza, para apertar aqueles botões, girar a linha do tempo, e, nas poucas oportunidades em que realmente era possível fazer isso, analisar cada detalhe, abusar da tecnologia, observar atentamente o que ali está mas, principalmente, o que não.
Um caminho sem volta.
Quando se começa a cruzar os dados, analisar as imagens, ver e rever, ouvir e então novamente, insistentemente ouvir cada diálogo, não tem volta. Olhar para o que foi dito, e com qual tom, e então por quem, e a que horas, e de que dia. Olhar para o que estava acontecendo naquele dia em outras esferas, analisar, voltar se preciso for.
Claro, por sua conta e risco.
Mas isso, só se faz, quando se desconfia de algo. Quando há aquele característico cheiro de mentira, de omissão, de malandragem no ar.
Ardiloso.
Voltar para as imagens daquele dia. Aproximar, observar as expressões faciais e corporais, comparar. Voltar, olhar para o quadro todo. Aproximar de novo, habilitar a leitura labial, ouvir os micro-tons.
Dói tanto estar ali. Ter estado ali.
Porém, é verdade.
Era mentira.
E por maior que fosse a dor, por maior que seja, saber que foi feita a escolha certa.
Não parece fazer muito sentido agora.
No fim das contas, tudo isso acaba parecendo uma loucura. Coisa de gente doida, insegura, controladora, abusiva, beirando a psicopatia.
Penso, por um instante, que talvez deixar tudo isso para lá, não se importar, permitir que a vida flua...talvez esse fosse o melhor caminho para que tudo se mantivesse na perfeita ordem e comunhão.
Mas, ainda sim, a história inteira da sua vida continuará lá. Com suas verdades e mentiras.
A sua e a de todo mundo, inclusive.
Bastaria parar pra pensar e entender: Até que ponto isso importa?
Enquanto importar, vai ser assim.
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