sábado, 25 de outubro de 2025

Capital

Ali no quatorze, ou no quinze, de março
Foi que eu entendi
O que aquilo tudo de fato dizia 
Lembre-me dos dias, das noites, das vezes
E é tão engraçado
Eu não me lembrar
De algo que eu queria

Nos anos 2000 aconteceu um evento interessante na indústria musical. Algumas bandas dos anos 80 e 90 estavam apagadas por diversos fatores. Entre eles, é claro, o consumo abusivo de todas as drogas e de todas as substâncias que os aproximavam de serem o que mais queriam, ou talvez, de ter, o que mais desejavam: a vida dos ídolos, seus rockstars, que, bem, mal sabiam que eles existiam.
Após o consumo, o estilo de vida, do sexo, drogas, e do rock n' roll, que foi peça chave e que, sim, transformou o cenário da música em todo o Brasil, pouca coisa ficou. Heróis que morreram, entre tantos, poetas, músicos, amigos. O que é que ficou?
Quem é que ficou?

Nos anos dois mil
Eu queria lembrar
Como é que apareceu
Como é que eu consegui
O CD desse show

Hoje, sabendo a história, entendendo o contexto, é que tanta coisa se encaixou.
O meu pai tinha um carro, com um toca CDs que era massa.
Eu amava esse carro.
Esse carro que eu nunca sequer dirigir. O meu pai não deixava. E ele estava certo, eu não tinha idade.
Mas a parte que eu gosto é que ele me dava a chave e ali eu ficava. Levava o CD, já que o toca CDs era massa, e me deixava ouvir.

No geral, eu não podia nada. Minha vida foi nunca poder. 
Entretanto, por alguma razão, eu podia emprestar sua chave, abrir o seu carro, botar o CD, e ficar ali ouvindo.
Me ensinou, inclusive, a não deixar morrer. Já que eu ficaria toda a noite ali, me ensinou certa noite a ligar o carro, dar partida, a fim de que a bateria pudesse recarregar-se sozinha, e eu não tivesse problemas.
Muito menos ele.

A vida era boa.
O verão, aquele ano, era quente.
Eu sentava lá fora
A calçada era quente
E eu espreguiçava
Eu abria a porta
Eu virava a chava
Eu botava o disco
E ele começava

Me lembro de por o CD, e de ligar o carro, e de abrir a porta, e ficar na calçada
Eu sentava ali fora e a música tocava
Alguns dos meus amigos às vezes chegavam
E a gente refletia
Nossa adolescência

Agora é que, enfim, eu cheguei finalmente no ponto do texto. No quinze de março. No dia em que ouvi novamente esse show mas já sendo um adulto. E não qualquer adulto. Um adulto quebrado. Uma vida fodida. Uma estrada sofrida. Uma história de dor.
E tudo fez sentido.
A nostalgia, então, de ouvir todas as músicas, e de saber os arranjos, e de lembrar do que ouvia naquela calçada, e de saber cantar ali nota por nota, deu lugar pra algo bem diferente.
E é por isso que eu fiquei em choque.
Cada letra falava de mim, da minha vida, da história, daquilo que amava, e do que eu evitava, de tudo que eu sou, do que era, e do que eu me tornei. Eu sabia, no fim, que eu teria escrito cada uma das frases de cada canção - na verdade, que havia! - só com a diferença de não ter gravado ali mesmo.

Respeito, então, ainda mais, meus companheiros.
E cada luta.
E cada medo.
E cada pensamento.

Pois todas as vezes que cantei em voz alta, em alto e bom tom, 
Cada uma das letras
Ou cada canção
Jamais saberia
Que eu, aqui, um dia
Entenderia tudo
Entenderia, então.

sábado, 9 de agosto de 2025

No fundo

No fundo a gente sabe que, na verdade, ninguém sabe bem o que é que tá fazendo.
Se o mundo agora diz que nós podemos discutir todas as coisas, conversar, desabafar, e se entender, e se explicar sem termos medo, bem...tentamos, sim.
Porém, também sabemos, que nós somos os primeiros. Isso é o que muda tudo.
Tentamos, arduamente, a cada dia ou talvez a cada semana, analisar o que passamos e mudar o jeito que nós conversamos para, então, comunicarmos tudo aquilo que jamais sequer foi dito.
Mexemos no vespeiro pois sabemos que esse é o único jeito.

É aí que nos perdemos.
[repito, reescrevo]
Afinal não sabemos
O que faremos com isso

No fundo me permito confessar que, na verdade, nós jamais saberemos responder.
A cada novo dia, vejo a vida, mas não sei mais enxergar sua magia. Os dias, sempre iguais, passam por cima, daquilo que apelido de rotina.
E há dias que eu afundo, e me soterro, no caderno, nas palavras, nos meus próprios pensamentos, ao mesmo tempo em que respiro, e amanheço sem porquê.

A neve me ensinou algumas coisas
Entre elas, se vestir sempre lá dentro
Não sei mais não olhar temperatura
E antecipar meus dias já bem cedo

No fundo toda vez que vou ver a temperatura, na verdade, sinto a vida e a natureza.
Foi só quando aprendi a respeitar as estações, as previsões, a cor do céu e a luz do sol, que me reconheci e pude então me respeitar, pelo que sou.
Olhar que lua estamos, em que fase e posição, é lindo se você souber olhar do jeito certo. Explica, mas, porém, não justifica. 
O mar, o céu, e o sol. Tudo o que é natural, influencia. O ar, a chuva, a luz, e a escuridão. Moldaram meu caráter para sempre.

Sei, sou, um novo ser
Porém, já não sei bem se quero ser
Não sei ser o que sou, pois nunca fui
E pra ser sem saber, bem, sabe lá
Por quanto tempo mais
Assim serei

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Noturno

De repente as palavras vieram
Aquela ânsia de escrever
Não carrego meu caderno
Pensei, preciso trazer

Sentei bem perto da mesa
Essa varanda é daquelas com vidro
E o vidro está meio embaçado

Deve estar bem frio lá fora
Não como o frio lá do norte
Mas como o frio que conheço
Frio coração paulistano

E eu a olhar a avenida
Lá na frente a bifurcar
A estação na esquina
Penso no mapa, e me lembro
Coisa que eu gosto em São Paulo
É de me localizar

Não sei se um dia na vida
Ao longo desses anos e anos
Sequer sentei-me a anotar

Acho que não
Nunca, mesmo.

Aqueles anos, e anos
Naquele tempo esquisito
Tudo aqui era tão diferente
Eu era tão diferente, também

São Paulo hoje machuca
Muito, muito mais, do que antes
Talvez porque hoje eu que deixo
Talvez porque hoje eu sinto
Talvez porque hoje eu saiba
Que tudo o que eu achava
Tudo o que eu costumava pensar
Sobre o que era a selva
Era só um jovem amante
Nas mesmas avenidas de antes
Sempre ali a imaginar

Mas hoje a selva é real
Tudo em São Paulo é real
Ao contrário do que dizem
Tudo aqui é proposital

As luzes sincronizadas
As pessoas estressadas
As ruas cheias, madrugadas
As viaturas nas calçadas

Mesmo assim, tanto mudou.
A natureza noturna
Da minha dupla preferida
Já não é mais a mesma
Nem sequer as avenidas
Nem as famosas esquinas
Aquele olhar das meninas
Nada parece normal

Isso não quer dizer muito
Não tá pior, mas não mesmo!
Só que melhor, nem, tampouco
Ser noturno é diferente
Já não sei como lidar
São Paulo ainda me ama
Eu que, às vezes, desencanto
O que é pior que odiar

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Doença [1]

Me lembro bem d'um dia em que, lá em dois mil e dezenove, um grande amigo me falou:

 - Se prepare, pois estamos entrando em uma nova geração. O que vai valer, agora e então, não são mais as doenças do coração. Preparemo-nos pra darmos boas vindas para os, até então, conhecidos como "distúrbios", "transtornos", "condição". 

Falando com clareza, disse ele em, alto e bom tom: as doenças da cabeça, nosso mal, assim, serão.
Doenças psicológicas.
Imagine.
Em 2019.

Que previsão maluca foi essa?

Março de dois mil e vinte, chega a tal da pandemia.
Nem preciso mencionar a lista de transformações.

Mas eu sei, meu grande amigo, j'acertou.

Vacinamos-nos, quase todos, nós.
Sobrevivemos e - só por isso - escrevemos, parte de nós.
Qu'acabou, graças a Deus, passou. passou.

Só que não nos perguntaram, já depois do chamado "novo normal", como é que estavam nossos nós. Exigiram que voltássemos com tudo. Bem alegres, meio mudos, por sermos sobreviventes do que um dia antes, diziam ser fatal.

Foi fatal pra muita gente, matando principalmente, nossos poucos, porém, bons.

Agora paro.
Respiro.
Reflito.

O mundo se tornou um lugar bem do esquisito.
Nunca soubemos quem somos, disso eu sei. E o que vejo é que agora piorou.
Empatia nunca foi uma questão
A gente só dava um jeito, uma maneira
A gente só fingia muito bem
E no final
No fim das contas
Não conheço quem dá conta
De nos explicar porquê

Adoecemos cada uma à sua maneira
Nenhum doente é igual
Nos perdemos desdenhando a brincadeira
A folhinha presa, ali, na geladeira
Marca os dias (quem diria!)
Denuncia, quase grita





domingo, 8 de junho de 2025

Divã

Chorar no divã, por si só, é de fato algo ruim de lidar.

Ao chorarmos em casa, estamos blindados. 
Podemos berrar, espernear, deitar no chão, em posição fetal, e então
Só então
Permitirmos, abrir o bocão

No tapete da sala
Debaixo do chuveiro
Talvez no travesseiro
Viramos criança

O que nos faz chorar
Depois de soluçar
Perde sua posição
De primeiro lugar

A vergonha é se ver
E se ouvir, se entender
Ao chorar só pra si
Se quiseres parar, vais saber

Entretanto, eu bem sei
Olhando pra parede, no divã de alguém
Chorar de soluçar
[é normal, já devia saber, mas porém]
Dói bem mais
Dói de um jeito 
De tirar-nos do eixo
E nem teu analista trazendo algum lenço
Resolve a sua dor

Ao falar em voz alta
Ao falar e se ouvir
Ao verbalizar tudo aquilo que acha que sabe
Vemos nós, no divã, feito nus
Só que muito mais nus
Que uma roupa haverá de esconder

Ao se ouvir, e dali, perceber
O que foi, o que é, e talvez
Haveria de ser
Tudo aquilo em que a gente crê
Pelos dedos, se escapa, se vai
Dando espaço pr'aquilo que, hoje, é você
E ao chorar no divã, seu eu, cai

Pra voltar
Levantar
Bem melhor
Que alguns meses atrás.  


sábado, 17 de maio de 2025

A sobra

Devo confessar que minhas mais recentes percepções do mundo ao meu redor raramente me agradam, me despertam, me interessam.
Confesso nessas linhas também que começar um texto fazendo uma confissão nunca nem foi meu estilo
Bom, ao menos, não, até então

A coisa é que quando me lembro, quando vem à mente
Das noites, do meu Monza verde
Das músicas no meu velho toca fita
Das luas, das noites, vazias
Dos bares, da rota, rotina

Me pego lembrando e vivendo

Minha solidão, minhas dores
Já surgem
Vêm
Tudo de novo

Não sei, mais, se fui mesmo feito pra noite
Se a noite foi feita pra mim
Recuso-me a dizer sim
Internamente, eu só apanho
Reclamando ou não, eu me rendo, eu aceito
Eu leio os papéis
Eu entendo

Nos dias em que eu mais preciso
De um colo, um abraço, um carinho
Olhando ao redor, eu atento, percebo
Que aquela postura que um dia adotei
Não faz mais sentido nenhum
Nunca fez

Sobrou o que tanto afinal?
Te direi
Um rastro de plano
Um talvez
Sobrou meus mil eus, meus vocês
E o que eu nunca posso escrever

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Outros tempos

Andei lendo, esses tempos, sobre como as coisas mudaram, desde outros tempos.
Os outros tempos são, veja só, outros tempos.
Nada se parecem - ou talvez, quase nada, que é pra não ser injusto - com os tempos em que agora escrevo. 
O meu tempo. Meu tempo são os nossos tempos.
Que nonsense seria dizer algo diferente, já que estamos todos aqui, afinal.

Mas houve, sim, outros tempos. 
E naquele tempo muita coisa eu achava bonito fazer, e fazia. 
Enquanto lia, na cabeça já escrevia, rabiscava e sabia: 
que tempos são esses que não o meu tempo?
Que tempo estou, eu, que não é mais bonito, nem chique, nem sexy, ao contrário o pior: 
quase tudo aquilo que eu era e fazia. 
Virou texto, história, até fotografia. 

Lembrei do meu tempo, do quanto eu vivia.

Me lembro de quando achei chique ser só. 
Ninguém era só. Eram todos iguais.
E eu me destacava no meio da noite, rasgando avenidas, cortando alamedas, parando nos bares, aqui e ali.
Eu vivia só 
porque a solidão era chique que só.

Ninguém era só e nem queria ser. 
Não sei se no fundo eu queria ser só 
ou se eu queria mesmo era ser diferente de tudo que os outros não podiam ser. 
Ninguém era só porque não conseguia. 
O mundo te força, te puxa e te engole. 
De um jeito que às vezes é quase impossível ficar no seu canto, 
nem que seja por alguns míseros minutos, e alguém já daria tua falta. 
Meu Deus.

Aí que eu entrava, pra se admirar.
Amava ser só mas amava ainda mais quando alguém me falava: 
que inveja de ser assim como você.
E eu lá do topo, do meu pedestal, bradava e vomitava de como todo mundo poderia ser assim se quisesse muito.

Besteira.
 
Ninguém era só e nem queria ser.
Ser só era bonito, mas só uma vez.
Entravam ali, no meu mundo, uma noite. 
O outro dia, talvez.
Era sedutor, perigoso, era lindo.
Mas digo e repito: era só uma vez.

Agora, passou. 
Esse tempo, passou. 
E ser só não é bom. 
Não por ser, como sou, mas por ser assim, só, por escolha de outrem. 
Eu sigo, aqui, só, mas não reclamo, não. 
Eu gosto porque já me acostumei 
assim 
e é assim que eu sei ser. 
Já nem mesmo imagino se conseguiria viver 
como aqueles que eu abominei.

Agora sou só, mas não porque eu quis. 
Nem porque é sexy, um charme, um mistério.
Nem por meu próprio esforço, mérito, crédito.
Agora sou só já que a vida me trouxe onde eu devia estar.
Mas são outros tempos pra seres como nós.
Os seres tão sós.

A paz no silêncio, a taça de vinho, as horas na hidro, o teto de vidro, o papel escondido, longe dos perigos.
O que é sexy nisso?
O que se admira?
O que se espera?
Nem eu mesmo sei.

Me lembro das noites regadas de uísque.
Não havia blitz, lei seca, limites
De terno e chapéu, me achando todo chique, rasgava avenidas, cortava alamedas, parava nos bares, trazia uma presa, a rotina da noite daqueles outros tempos
Que eram nossos tempos
Não existem mais.

Não lamento a falta de nada que disse
Lamento é o fato
Que isso não existe
Procuro culpados
Logo fico triste
Não queria estar por aí pelo mundo, te juro, contento-me com meu terraço, a sacada, as estrelas, e o pouco que ainda existe do que eu sou
Não queria estar por aí, juro mesmo
Mas queria mesmo
Que ainda existissem os novos poetas

Os raios de sol
Velhos Santiagos
Devaneios, delírios
Os tais Lenhadores
Os bicos de pena
El hombre, los hombres
Gravatas 
Menezes
Meus melhores dias naquelas cadeiras 
Ouvindo o delay das TVs, duplicando a voz de cada atriz
Mostrando pra gente
Que era bem possível
Um final feliz

Tudo agora é pó
Deixaram a noite
Deixaram esquinas
Aqui bem na tela do meu celular
Já são outros tempos
E nós que vivemos, aqueles, os tempos
Abrimos espaço pros tempos de então
Que são nossos tempos
De antes e agora
Mas que agora é tarde

E para ser chique, nos tempos de então
A receita é outra
E essa eu não aceito
Por, enquanto, não.

domingo, 23 de março de 2025

Upbeat

Ninguém vai decidir
A vida vai fazer
O que ela há de fazer
Responsáveis? Não há.
Ou culpados, tampouco

Merecemos distância
Precisamos de espaço
Fazemos o possível
E eu busco acreditar
Que é tudo o que fizemos

Vomitando palavras
Reconheço a mim mesmo
Controlando meus versos
Capricho aqui na forma
Já que não me conformo

Caminho pela noite
Caminho pelo dia
E o que tem que ser feito
O faço com cuidado
Pra não enlouquecer

De abrigo, eu sei, preciso
Mas sigo bem sozinho
Semana após semana
Me vejo, assim, turista
De fora, quase um gringo

A coisa de esquecer
Confundir, e não ver
Chegou com a idade
Cometo uns erros bestas
Não aprendo mais nada

O poeta está vivo
Essas teclas nem tanto
Ninguém dorme tranquilo
Tentamos acertar
Erramos já do início.

domingo, 9 de março de 2025

Sinais

Raramente eu saio
Escolho sempre ficar
Mas outro dia saí
Pro médico, coisa e tal
E encontrei um bebê

Bebês já gostam de mim
E não há uma razão
Sei que a bebê quis me olhar
Até meu colo ela quis

Eu, que sei bem dizer não
Logo, neguei, por favor!
Mas foi difícil demais

Ser pai, assim, dói demais
Vou resolver, sei que vou
Contudo, antes, eu sei
Devo entender os sinais
 
Não fui eu quem escolheu
A vida que quis mostrar
Resta-me, então aceitar
Um dia, enfim, não pensar
[tanto] no que aconteceu

Aquilo que me ensinou
A ser o pai que hoje sou
Não vai mais ser dessa vez

Um novo pai, sim, serei
Nada como imaginei
Lá na frente entenderei.

sábado, 8 de março de 2025

O que faltou

Finalmente, ouvi, muito bem
A mensagem que a vida me deu
Dizendo assim:

"Pare. Não julgue.
No fundo, você não sabe
Se aquilo que achou que faltava
Era mesmo o que necessitava
Esse outro alguém

E agora, pois é, pouco importa
Ninguém quer falar sobre a causa
Mas, tu, que perdeste teu chão
Precisas de quê pra seguir?

Pense só...

Bom, talvez, paciência!

Precisas da tal paciência.
Pro tempo fazer seu trabalho
O tempo, cruel elemento
Não erra
Nem age no acaso

Tenha paciência
Não cobre, não veja
Seja.
Esteja.
Lá!

Peça a teu deus paciência
E lá esteja.
Vá!



sexta-feira, 7 de março de 2025

Coisa minha

Só agora, então, pude entender
Que essa coisa de plano
E de ter paciência
                            [logo ia passar!]
É coisa só minha

Não dá pra querer que alguém seja
[Ainda, mais, logo quem
Um ser tão diferente]
Não posso esperar paciência
Perseverança, persistência

Meu erro, eu já sei, foi achar
Que o plano de não desistir
De nunca, nunca desistir
Poderia, um dia, seguir

E ao contrário, se assim, parecer
Nada do que escrevo aqui
Vem com raiva

Apenas reflito, percebo, e vomito
Tudo o que nunc'antes foi dito
Que o amor chegou e foi lindo

E que eu aprendi que o amor
Tem formas e tempos distintos
Para mim, achamos a forma
Mas o que será do destino?

Faço, então, a coisa que eu
Nunca soube bem
Que, na marra, aprendi

Despeço-me do amor que senti
Mas digo, estarei sempre aqui
Pra que se apresente pra mim ao voltar
Pra que'eu nunca mais precise te inventar

quinta-feira, 6 de março de 2025

Aceito

O plano não era esse
Meu bem
Nunca foi esse o plano

Entendo, e respeito bem, o que houve
Entendo o amor acabar
Decisões tão difíceis da vida
Por isso entendi você ir

Jamais concordei
Jamais quis
Cheguei a xingar [ora, pois!]
Palavrões proferi
Jamais te perdoar 
                            [só pra mim]
Prometi.

Também sei que eu não entendi
Que tive que aceitar te ver ir
Já que tu não querias ficar
Que haveria eu, no fim, de fazer?

Que'essa vida já esteja melhor pra você
Pois te amar, para mim, foi assim
Querer te ver feliz, te ver bem
Na balada, na cama, na vida
Costurando, bordando, tão linda
Desenhando também destemida

Se não fui capaz de te dar
Foi besteira minha, talvez
Pensar que eu seria o rapaz
Que a faria viver o que quis
Que a faria viver, ser feliz

quarta-feira, 5 de março de 2025

Almost over you



I saw an old friend of ours todayShe asked about you, I didn't quite know what to sayHeard you've been making the rounds 'round hereWhile I've been trying to make tears disappear
Now I'm almost over youI've almost shook these bluesSo when you come back aroundAfter painting the townYou'll see I'm almost over you
You're such a sly one with your cold, cold heartMaybe leaving came easy, but it tore me apart"Time heals all wounds", they say, and I should know'Cause it seems like forever, but I'm letting you go
I can forgive you and soon I'll forget all my shattered dreamsAlthough you left me with nothing to show, full of misery



Música de Sheena Easton, que em 1983, já sentia o que alguém no hemisfério sul sente décadas depois. Por isso, hoje, cantam juntos.