domingo, 4 de julho de 2021

Hoje, não.

Vocês mataram meu amigo.

Não, vocês não entendem.

Vocês mataram o meu melhor amigo.

E essa dor não é exclusiva minha, antes fosse. Eu sei como lidar. Talvez eu saiba.

É de tantas, tantas pessoas.

Vocês mataram meu amigo e por isso eu não posso perdoá-los.

Sinto muito por não sentir nada.

Por olhar com cara blasé, de arrogante e superior para esse comportamento burro, evasivo e desinteressado, disfarçado de preocupação, vindo da cara de vocês.

Eu não devia estar aqui no meio dessa gente e por isso eu saí. Porque eu não deveria ter vindo.

Porque o sangue do meu amigo está escorrendo aqui nas mãos de vocês, que cozinham para que comamos sua comida sem tempero, sem gosto, sem vida. 

Porque eu tenho direito de escolher ignorá-los, blasfemá-los, culpá-los. 

A culpa é de vocês. 

Talvez um dia eu esqueça isso e resolva me misturar de novo. 

Porém saibam que, se um dia decidir fazê-lo, será apenas para massagear meu ego e rir de vocês por dentro, enquanto bebo do seu álcool, como do seu banquete, lambuzo-me de teus frutos, e volto para o mundo do qual pertenço.

Um dia, que eu não sei quando vai ser.

O que sim, sei, é que este dia não é hoje.

Gentinha de merda.

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