quinta-feira, 2 de março de 2023

Tortura

No meio da noite parei para pensar e, de todos os poetas que eu poderia citar, nenhum deles diria de fato o que era pra eu dizer. E olha que, para quem aprendeu a ter referências, isso é quase que raro. 

"Ah, como eu queria ter escrito isso antes dele"
Ou ainda, a máxima:
"É, isso claramente poderia ter sido escrito por mim"

Quem sabe um dia aquele efeito do filme Yesterday acontece e eu ganho a sorte grande? 
Já sei até de quem iria roubar tudo.
Quem sabe?

Apesar de qualquer coisa, permito-me fazer aquilo que não deveria, que não queria, muito menos esperaria começar: depois de tanto, pensar no que era bom.

Contextualizando: rompemos. 

E a novidade em minha vida foi que, desta vez, não houve portas batendo, gritos, choro, ranger de dentes, objetos de vidro quebrando em paredes, facas, maçanetas entortadas, quebradas, trânsito parado, BJJ...

nada. 

Nadinha.

Como é que se pode, então, entender o fim daquilo que era tão bom?

Só eu sei quantas deitadas naquele divã serão necessárias para decifrar o porquê de eu ter sido capaz de, finalmente, entender, que aquilo que me faz mal, não foi feito para mim.

Torturo-me, então, quando me entorpeço, encarar meu maior demônio: os dias tão bonitos - e que foram tantos - ao longo destes quinze anos.

Nem por relevância, nem cronologicamente, recupero imagens, sons, e passagens, de toda uma vida.

Quando comecei este texto, esperava que pudesse, talvez, eternizar registros que um dia, talvez, se apagarão.

Me vi imóvel, por fim, tentando segurar a ânsia e perdido nos próprios versos.

Talvez eu tenha mesmo, me esquecido.

Como escrever

Prosa.


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