- Oi
- Nossa...cara...que horas são?
- Tá bem cedo
- Ahn...aconteceu...alguma coisa?
- Acorda primeiro. Eu espero.
- Se me ligou pra brigar, já me avisa, que eu não tô com pique, não.
- ...
- Já entendi. Boa noite então! Bom dia!
- Não desliga!
- Porra, João, cê me acordou as cinco pra me infernizar? Me diz logo o que foi, vai
- Não dá pra dormir sem você
- Já tentou meditação?
- Se for pra debochar, quem vai desligar, sou eu!
- Jura?
- Não, Mônica. Queria ouvir sua voz.
- Já sei que você não tá normal. Fez de novo, né?
- Não briga. Ah...ou briga, vai. Até brigar com você faz falta.
- Você tá bem?
- Tô na mesma. Não durmo já tem dias, e a saudade, só piora
- Aqui também não tá fácil, se é isso que quer saber.
- Pra falar a verdade, eu nem sei...nem sei muito bem o que eu quero saber. Te ouvir respirando na linha já é um baita alívio
- Olha, João...sério. Não faz mais isso. Cara. Você chega das suas noitadas e eu na base de remédio. Como espera que seja meu dia?
- Então me escuta. Que eu ainda sinto seu cheiro na cama, na roupa, nos cantos da casa. Que eu ouço sua voz falando palavrão, e brigando, e gemendo, cada gargalhada. Que até meu colchão tem sua fôrma, e todo o seu mel, que secou.
- Não me faça chorar. Não são nem seis. A ideia era sabermos o que estamos fazendo, não era?
- Eu sei. Mas pô, mô-ni-CÁ. Quem é que tem alguma certeza, afinal?
- Quem tem, eu não sei. Sei que não somos nós. E digo mais: deu negativo.
- Deu...deu negativo?
- Negativo.
- Isso não vai funcionar, né?
- Sabemos que não.
- Posso te fazer uma pergunta?
...
...
...
Alô?
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