terça-feira, 28 de março de 2023

Salvação

O processo de salvar o outro é de um otimismo suicida.
Por isso nunca é possível distribuir o bem sem nenhum critério. Não se sabe se o bem para você, é, de fato, o bem para o outro. 
Dói ver o outro afundar-se na lama e querer tirá-lo de lá à toda prova. Mas será que, de fato, a pessoa deseja dali sair?
Dói mais ainda perceber que não. Não se pode salvar alguém que não sabe que está em perigo. É preciso deixar e, de longe, ver - ou talvez nem ver, por que não? - aquelas consequências que já se sabia que, então, viriam.
É bem parecido com o amor de uma mãe para com seu filho. A mãe sempre sabe. Ao ver sua cria em apuros, mal acompanhada, se autodestruindo, perdendo suas conquistas, e tomando as mais idiotas decisões, há sempre a escolha entre tentar ajudar ou deixar fluir.
A dor maior é deixar quem se ama sofrer para aprender.
Ainda sobre a mãe, qualquer tentativa de aviso, soaria como super proteção. Qualquer manobra que evitasse a reincidência, seria de um egoísmo só. Privar não é educar.
É preciso deixar ir. Já que as lições vêm, a cada ressaca - especialmente as ressacas morais - e só o que dá pra fazer, no final, é torcer. 
Dói não poder fazer nada.
Dói ficar. Dói deixar ir. 
Mas sempre, sempre a gente tentar encontrar um jeito. E essa é a ingenuidade no amor. Seja este de mãe ou não. 
O amor é sempre ingênuo. Mas não salva ninguém.

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