O amor é esse estado confuso.
Amar é, em geral, confuso.
Amamos aquilo que mais desejamos.
Principalmente quando o tal, conquistamos
Filósofos importantes falaram isso, por sinal
Então, quando conquistamos, tudo fica leve e bom
E aí?
Como lidar com a leveza de Milan Kundera?
Então amamos com todas as forças e, no final, padecemos
Esgotados, de tanto amar
Por que é que, então, o amor haveria de ser eterno?
Já que o amor, quando é do bom, machuca
Fere, humilha, perturba, e ataca
Voraz
Vorazmente
De que vale, então, lutar por aquilo que acreditamos ser amor
Se, só por ser amor, está definido que, sim,
Sua missão é ensinar a dor
A dor no amor, a dor na dor, e o amor
Tanto na dor, quanto no amor, em si, só
Percebo que nunca entendi, de fato, o amor
Nem como amar
Nem por amor, e nem por dor,
Nem por amar, nem por sofrer
Que permitir o amor chegar, assim, por bem
Nos faz tremer
Parar o tempo
Querer mais
E se, no fim, botarmos, então
Tudo a perder
Ainda sim, não há amor, nessa vida, que se acabe
Confundimos o nome amor
Com dependência
Com conforto
Com carência
E atenção.
Mas se é amor, se for amor, amor do bom
Nunca se acaba
Nem nunca
Se acabará.
Porque
O amor é esse estado confuso.
Amar é, em geral, sim, bem confuso.
Pois bem
Já que o desejo não se acaba
E já que a fé nunca se esgota
Percebo que nunca entendi, de fato, o amor
Nem como amar
Ouvi Vinicius sempre me dizer
Que amor, quando é do bom, tem que doer
E dói, que nunca cessa, o tal do amor
E aquela ideia
Então
De tentar procurar por paz
Talvez esteja em outro lugar
Nos bares, nos bordéis,
Centros budistas, sem papéis
Escadas estreitas e becos
Entre artistas, menestréis
Cem tipos de português
E aquilo que não ensinei.
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