Eu olho para a vida e eu vejo o tempo.
Tenho visto o tempo de um jeito nunca antes visto. E percebi que estávamos enganados.
Ter uma graduação na escola de engenharia acaba com a minha vida nessas horas. Como é que raios, por Deus, fui virar escritor?
Escrevo sobre tudo, para todos. Enquanto não posso mapear todas as minhas tristezas e colocá-las num papel como uma análise bucólica da vida moderna, tal qual Rubem Alves ou Leminski em suas devidas épocas, sobrevivo agradando os olhos daqueles que lá não têm tanto tempo assim para ler.
Se me sinto mal? Jamais.
Afinal, Deus me fez capricórnio por uma boa razão. Encontrar algo na vida que me fizesse ganhar dinheiro, alimentar minha melancolia e ainda ter tempo de reclamar.
Eu adoro reclamar.
[Mas esse é outro assunto]
Enquanto isso, encho a cara de vinho e começo a fazer contas burras, de padaria. Ah, como eu amo essa expressão!
Com pouco esforço e toda alma do mundo, percebi que aquela estimativa dos quinze anos estava errada. E eu já imaginava, afinal, não era possível.
Explico.
Já conheci casais que se conheciam há quinze anos. Também há vinte. Há quarenta. Há cinco e há três. E nada, nenhum, nem ninguém, de maneira nenhuma, se compara ao que vi ali.
Naquele bar, naquela cidadezinha do interior daquele país, naquele ano, e finalmente, naquela geração.
Uau!
Qualquer bomba nuclear que a gente venha a ter medo perde feio para aquele abraço.
Então fiz a conta, não sou besta, eu já sabia.
Inception!
I N C E P T I O N
I made a mistake, já diria Memphis Raines. -- Obrigado pela contribuição, Renato Menezes.
Não.
Não são quinze.
Já que cinco minutos dentro da vida real são doze horas dentro de um sonho, já se passaram 72 - SIM! SETENTA E DOIS - anos desde aquele treze de agosto.
Aquela blusa cinza, aquele kimono, e o cú de burro que mais parecia uma caipirinha, e o barulho ensurdecedor dos machos escrotos ao redor. Estamos tão velhos, afinal, que hoje só sabemos beber olhando pro céu ou fumando um cigarro boiola na varanda improvisada.
Quinzena pouca é bobagem. Dois idosos que há setenta e dois anos se aturam, que brigam, se matam, de ciúme e de medo, luxúria e bagunça, corpo de delito e a estrada, amor no tapete da sala, discos de vinil e groselha, paredes e vidros quebrados, artistas em sua expansão.
Devia ter, afinal, seguido o conselho do nobre Di Caprio e ter trazido um pião.
Agora sem noção do tempo, dei-me conta que não, não é tarde demais.
O contrário!
É tempo de ver o que é bom. E o bom que um dia conhecemos, agora já está se perdendo, pouco a pouco.
Aquele olhar que um dia duraria a noite inteira, passou a durar meia hora, depois veio a ser dez minutos, até que chegou no reels, um minuto e a mensagem está dada.
Hoje quinze.
Quinze anos, como achávamos?
Não.
São segundos.
Quinze segundos e se não for interessante, ah, meu Deus, tchau e bença.
Mesmo que a geração Z nem entenda o que isso quer dizer, só nós, os trintões, saberemos por tudo o que passamos.
E foi por isso, que resolvemos parar o tempo.
O amor não pode esperar.
Além da liquidez de Bauman.
Lá estamos.
Meus poemas são matemática.
Te desafio
Correr atrás de minha dose enfática
E me explicar o que eu sei
Estude inglês e verá o que eu já vi também
Que metade é boa sim
Agora que sabemos nós
Talvez só eu
Bem sei
Sim!
Metade do amor, fomos nós.
Fomos todo amor, rumo ao fim.
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