segunda-feira, 27 de março de 2023

Crise

A cena se repete, enfim
Procuro em meus registros e simplesmente não encontro
Eu juro que havia escrito sobre isso
Talvez agora, 15 anos depois, de fato valha a pena contar de novo a história
Já me que lembro, sim, como se fosse agora
Do dia em que quase morri
De fato, pensei que ia morrer
Saí do bar, calmamente
Caminhei pela área externa
Aquilo que hoje é um portão de ferro fechado, parecendo escola
Era apenas uma mureta charmosa

E foi por cima do portãozinho que a vi

Ali, parada, tão sexy como nunca
Fazendo aquilo que melhor sabia fazer
Que era, de fato, seduzir
Daquele momento então, não consegui mover um músculo, sequer
Seu sorriso largo e bonito e seus olhos grandes, os cabelos, pretos, e o decote
Porém, desta vez, não ao meu alcance
Ela sorria para aquele cara baixinho, bonito, não nego, e usava toda arma que tinha
Chegou a ficar bem pertinho, repousou a mão em seu peito e esticou seu indicador. 
Sorriu mais uma vez, brincou com aquele tórax, usando suas unhas, sorrindo e ganhando
O jogo era seu.
Olhou para o lado, me viu lá, parado, fingiu que não viu. 
Sabia o que fazia.
Todo movimento era bem planejado.

E eu, como nunca achei que seria, tremi todo, saí do ambiente, corri pro banheiro, me agachei no chão.
Tentei respirar, o peito apertado, uma arritmia, um calor subindo, e a pele gelada.
Levei algum tempo pra sair, me lembro. Quase não dei conta de pegar o carro. 

A vida pode ser bem cruel quando precisa ser.

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