Você se foi.
Por Deus, que morte horrível. Que dia horrível.
O dia em que você teve que morrer.
O dia em que eu resolvi que você teria que morrer.
Para mim.
Você se foi.
Mas não antes de destruir o meu psicológico. A minha auto-estima. A minha segurança.
Confundir-me os sentidos, me reduzir a nada.
Poluir-me o romance, a crença nos outros, a fé.
Me levar pra voar, porém sem dar-se ao luxo
De me segurar a mão.
Me lembro com tantos detalhes dessa noite, que sou capaz de descrevê-la como se tivesse sido agora, pouco antes de acordar.
Estávamos deitados naquela cama estreita. Eu com bons quilos a menos, e ainda sim, grande. Você eu já descrevi tantas vezes por aqui que não vou me dar ao trabalho. Quase nenhuma roupa. E a nudez que ultrapassava o corpo, escancarando portas e janelas, dentro de mim.
Olhávamos para o teto ou para a TV de tubo de quatorze polegadas, porém só eu sei. Eu não estava ali.
Levantei-me como um raio e corri para o banheiro pequeno, rente ao quarto. E vomitei desesperadamente. Coloquei para fora o que tinha e o que não tinha. Meu corpo tentava me avisar de tantas formas, até que finalmente, conseguiu.
Você como sempre, se manteve ali. Pareceu, de fato, ser uma decisão difícil entre tentar entender o que havia e acompanhar as curiosidades por Paulo Henrique Amorim. E eu abraçando a privada pensava morrer quando, na verdade, estava matando.
Aprendi, desde então, a voar sozinho. Já que, no amor, é só o que me resta a fazer além de fingir não ter sentimentos.
Aprendi tão bem a fazê-lo que ninguém mais acreditou. Me perdi no personagem.
E segui. Voando.
Algum poeta já disse mas não custa reforçar, que não há sentido algum em caminhar quando se está perdido. Imagine voar.
Essa noite não dormi direito. Tomei do velho veneno e abri espaço para novas velhas dores. Fiz tudo errado. Tudo de novo. Uma máquina do tempo estacionada em dois mil e oito, me ajudando a perceber como, às vezes, parece que eu não aprendi coisa alguma.
Ah, se eu soubesse tudo o que sei agora.
Ah, se eu soubesse o quanto, eu não sabia de nada.
E agora que eu sei, só o que eu sei, é que eu sei menos ainda.
Eu não sei de nada.
Eu não sei.
Nada.
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