sábado, 10 de setembro de 2022

Somos assim

A vida do artista tem muitos mistérios
Que ultrapassam todos os outros mistérios
Já hoje me chamaram de cristão
Ofensa maior recusei
Só porque, tão burros, que são
Não entenderam quando brinquei
"Me chamem quando estiverem falando de Deus"

Te juro. Dá pra crer?

Por isso não me misturo com essa gente
Por isso rio da cara
Dos que, de algum jeito, sabem
Como superiores são.

Eu ando pelos caminhos sinuosos
Colho flores, girassóis
Vejo cores e luzes
No nascer do sol

Eu falo com andarilhos, putas, mendigos
Eu sou a ralé, a plebe, o pé rapado
Ando de terno cortado 
E me infiltro entre os gran finos
Abuso de seu mal gosto
Bebo e rio com meus parceiros da cozinha
Eu carrego o que for
Pra nunca negar onde estou

Eu vejo alguns pretos de terno 
No meio do rolê, e penso
Em quantas línguas vocês nos ofendem
Os latino americanos
Sou índio e morri como aqueles que, sim
Sobrevivem todos os dias comigo
Já que ajudo como posso, com álcool e amor
Parceiros das ruas, onde estive, então
Ninguém sabe o que eu não quiser contar

Desabafo sobre a guerra fria
Viajo amanhã 
Nem sei se volto mais
E levo quem quero comigo
Antes contava em uma mão
Hoje fecho os olhos
Quem aqui estiver
Aqui estará

A noite foi quente
Como é bom sair sem jaqueta
Como é bom viver com a paz dos poetas

Nunca confundir outras vozes com a tua
Nunca mais pensar que minha cama é a rua
Tocar notas graves, fazer o meu nome
Ajudar meu povo a saciar a fome
Ajudar meu ego a disfarçar a fome
Dizer-te as verdades que sinto no peito
Já que assim, serão, e assim sempre, são
Há uma mesa posta esperando 
Xadrez vermelha e branca
Tal cantina italiana
Me esbaldo
Te bebo
Até ficar sem ar
Me puxe os cabelos
Me deixe sem ar

Nós somos da noite
Nós somos artistas
E a vida do artista
Tem muitos mistérios
Descubramos todos
Pois somos tão bons, tão únicos, juntos
Nem importa tanto
O que está se passando
Com essa cabeça

Vomito palavras
Engulo a saliva
Engulo-te toda
Afogo sem medo
Mas não durmo cedo

Não faço sentido
Nem pra quem lê
Nem pr'eu que aqui, escrevo

E não é só porque eu canto todas as músicas do Nirvana em alto e bom som, ficando sem voz, suando e chamando a atenção 
Que não trocaria tudo por voltar pra vida na estrada, porém, desta vez, sentindo aquele cheiro, mordendo, e chorando de emoção, sempre que me pedes

Me faz

E não dizes mais nada
Que filha da puta
Tu sabes de tudo
O que eu também sei
Me abraça bem perto
Já tenho os bilhetes
Oh, Let's jump a train
Que somos assim

Nós dóis
Desde sempre
Somos
Desde sempre
Nós dóis
Nós somos
Somos
Nós dois
Simplesmente
Assim

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