sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Fica à vontade - pt. 2

Chega de poema.

Encaixamos.

Seu cheiro, que já estava todo em mim, se espalhou por minha roupa, e pela sala toda. Respirei fundo e trouxe todo aquele aroma em mim. Senti certo arrepio ali, em meus pelos, todos. Tratei de não usar minhas mãos pra que outros sentidos viessem primeiro. No fim, não deu, te abracei por inteiro. 

Encaixamos.

Sabíamos dos panos entre nós e nem assim nos importamos. Mantive-te ali, estável. Envolvi-te a cintura com meus longos braços, até prender-te, toda, em pulso firme, como sim, sei que tu gostas.
Ainda não sei, ao certo, se foi sonho ou se seus olhos grandes vieram mesmo, tão pertinho ali, de mim.
O que eu, sim, sei, é que aquilo que disseram, sobre o tempo parar, passou a fazer mais sentido, agora.

Meu corpo é grande e, ao sentar, fica ainda maior. Seu corpo é lindo e doce e, ao sentar, fica ainda menor. De repente, de algum jeito, ali estamos. Sabemos, dali, não queremos sair, nunca mais. Penso no teu toque doce, em suas mãos bonitas, tua boca, e claro, em teus quadris. Nem sou capaz de escrever bem se lembro de como respiras, insisto ainda sim, pois tenho tempo.

Parou o tempo, a canção, a hora e a fala. Parou tudo o que estava em volta. Prendemos o ar por um instante, olhamo-nos nos olhos só mais uma vez. Segundos que viraram horas. Vi em ti mil personagens e estórias, mil poemas, mil canções. No ápice meti a mão em tua nuca, olhei mais firme, cheguei perto até sentirmos bem o ar de nossas bocas. Nem lembrando tão bem sei que fizemos isso. Sabendo que nos merecemos, não fomos capazes, jamais, de desviar o olhar por um sequer segundo.

Sim, poderia descrever aqueles segundos, por horas. Nem sei mesmo se foram segundos ou horas que estivemos ali, procurando por algo que a gente nunca soube que existiu. Por que é que as coisas têm que ser assim já que as feridas prometeram ser pra sempre e, por algum milagre do destino - pelo menos pra quem acredita - sequer existem ao te dar colo?

Temo sim, que essas palavras, façam pouco ou nenhum sentido. Sei que quem lê possui bem mais que quem escreve, e ah, se eu pudesse, ao menos, descrever.

Nossos mundos diferentes se fundiram então. Distâncias de anos luz se estreitaram, enfim. Dias se converteram em meses e uma semana é tão longa quando um faroeste caboclo. E quando chega a sexta estamos tão cansados, putos, exaustos, que só queremos morrer. Acontece que morrer contigo é bem melhor. 

E se estás cansada entra, vem, fica a vontade. 
Senta. 
Que encaixaremos e começaremos, sim, tudo de novo. 
Enquanto tivermos tempo. 
E temos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário