És um evento.
Não posso entender algo que nunca vi. Demoro, confesso, mas não tenho pressa. Honestamente, ainda bem, porque eu odiaria ter que passar rápido por esse abraço. De modo que seu corpo não dançasse no tapete uma valsa comigo, ao menos.
Fecho as janelas para que teu cheiro permaneça por mais tempo. Na gola da jaqueta, na blusa velha, no travesseiro. De um jeito proposital te aperto como uma fruta - já que estás no ponto e teu gosto é todo doce. Te descasco e mordo, desfruto do teu sumo, e com carícias, deito-me com teu perfume.
Adormeço.
Desperto e seu corpo percebe, tem sede, me pede. A pele não nega, e as curvas entregam, o tempo é agora. Do tudo e do nada. Escolhemos tudo, já que temos essa alma louca e pouco puritana.
Focamos na perfeição e ali passamos horas, dias. Um dia, eu sei, serão, semanas. Nada religiosos, peregrinamos, a pão e água. Ou quase.
Eu que amo as palavras tento aos poucos perceber o cinema mudo em que acabei caindo. É um espetáculo à parte, sei reconhecer. Sei tudo de ti quando os olhos não piscam, e assim, passeamos, indo e vindo, em nossos universos.
Depois passo dias juntando a bagunça. Recolho os pedaços, peças, retalhos, dos flashes da noite, quase como cortes de um filme noir.
Onde o poema acaba sem deixar registros de onde começou e ameaçando, volta-e-meia, nunca mais estar.
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