segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Há um lugar seguro, tranquilo e calmo, bem ali, depois daquela esquina. Só mais uma quadra e viramos.
Depois daquela quadra, onde bate o vento forte, que não dá nem pra sentir quando te abraço e te protejo além do frio. 
Chegamos nesse ponto ao mesmo tempo. Abrimos essa porta devagar, quase que juntos. 
Sinto muito. Queria ser discreto e simplesmente não consigo, dizer que descobri tudo sozinho, não posso ser tão mau vilão assim.
Que bom que saímos do raso.
Mergulhei querendo tocar o fundo, já que sempre sou assim, tão denso e sentimental. Quando vi, como errei rude, que bobeira ter pensado que ainda era o mesmo de antes. 
Esse plano fica mesmo no ar.
E foi lá que, então, encontramos. Tudo o que queria descobrir, mas tinha medo. Tudo o que há de lindo desde agora e assim será. Meu lado racional insiste e luta: como pode?
Acontece que eu vejo tudo. Eu sinto tudo. Não é imaginação nem fantasia, não é sonho nem desejo, não é alucinação, já que contigo eu nem preciso.
Te vi tão linda, me esperando, tão redonda, lua. No melhor sentido. Toquei teu corpo, envolvi-te inteira, até sentir tua pele, teu calor, e os batimentos confusos, rápido e lento, então, reconheci.
Era ela.
Que antes de chegar já recebeu todo o amor que ousei te dar de tantas formas, cheiros, gostos, e de tantos jeitos que jamais provei - já que tua pele nunca esteve por aqui. 
Lá, pudemos nos envolver, sentir o calor, tocar as coxas, sentir a forma, o cheiro, o gosto, e todo o mel vindo e voltando, sem pressa, e em excesso, de dentro pra fora, e como sempre, misturando tudo o que é amor com promiscuidade sem perder qualquer detalhe.
De novo e sem a menor previsão de retorno, estamos lá, uma vez que o tempo, lá, corre diferente. De um jeito que, de repente, me entregaste tudo o que eu temia já ter sentido contigo, tudo o que já fazia sentido. Sei que preferes ele, mas sabes que quem vem mesmo é ela, e que ela vem que vem com tudo. Destruindo a casa e te fazendo de besta daquele jeito que só você sabe ser.
Não saímos de lá, já que é lá, que ela brilha, e te olha nos olhos, entre o azul e o cinza, um ser insuportável. Daqueles que dá raiva de tanto amar. 
E você ama.
E eu amo.
Até explodirmos e voltarmos para a terra sem sabermos exatamente o que fazer com isso tudo. O resultado? Claro, positivo para febre. Com força. De um jeito que o algoritmo já sabe até as cores que queremos. Conjunto completo. Dinossauro ou fada bailarina. A minha gostava do Hulk. Mas a Lua? Jamais saberemos. 
Um dia, talvez.
Sairemos de lá. 
E estaremos aqui. Prontos.
Sem pensar no porquê, sem tentar entender. 
O rock n' roll não para e no final você vem e aparece. Vocês, de um jeito de outro, vêm aqui me beijar. Que é pro tempo parar. Pro som sumir, e pra gente se ouvir, num só.
Você está aqui. 
Vocês estão.
Lá.

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