Me reconheço e dói
Não me conheço, e sofro
Choro e tremo,
Choro e bebo
Choro mesmo
Com motivo.
Fantasmas que um dia temi
Que lutei, me cortei,
Que pensei que venci
Ainda seguem comigo
Ainda seguem aqui
Percebo-me e, sim
Conheço-me novo
Havia um tapete
Talvez um capacho
Feito um Maracanã
Pra eu varrer a meu bel prazer
E eu varri.
Sem medir.
Sem pensar.
Mas o que esperar
da indescritível certeza da alma jovem e imatura,
afinal?
Não há mais outro jeito de viver
Senão arrancá-los a força
Verdades à queima roupa
Palavras à sangue frio
No fundo dos seus olhos.
Imito Pessoa, o poeta
Dispo-me das roupas velhas
Parece mais uma pele
Sinto rasgar-me o peito
Jobim me trouxe um presente
Me deu finalmente a cura.
Veio a lua cheia então, e vi
Sempre a amei, sequer a conheci
Também, como poderia?
Se o céu era logo ali
Faltava-me a mim, apenas
Olhos feitos pra enxergar
Nenhum comentário:
Postar um comentário