sábado, 15 de outubro de 2022

Caderninho

A ruptura é um processo delicado
Penso que não 
Não escrevo para mim, 
mas sim, para quem lê 
Preocupado

Dancei bolero até as 4
Manhã, noite afora, e o vento
Me afoguei la pras 3
Me enganei até as 2
Paixão, veio forte, até a 1
Cantei e aplaudi
Meia noite

Eu gosto da fúria do Tim Maia
Mas confesso ter vindo aqui pelo Rei
Conservador não sou, mas sim, sei ser
E também não sei amar, mas quero bem

Canto amanhã de manhã mesmo que meu café 
não tenha açúcar
Ouço a respiração da moça que me dará crias
Já que a cerveja congelou, e o vinho, bebi todo
Saíram do controle as coisas, sim, de novo

Capricórnio sempre deixa-me, assim
bem longe dos vícios
E eu adoro provocar leitores céticos
Mas o mapa da loirinha me assustou
E já sinto-me ansioso, esse futuro

Risco guardanapos velhos à caneta
Depois eu passo tudo pro teclado
Lembro da rodoviária na Nações
E tanta confusão que lá vivi

Bolero a ensino a dançar
Boletos ensino-a a pagar
E perco-me todo, me humilho, e me lasco
Pois não quero crer
Que ainda serei
Sozinho de novo
Eu não sei.

Meus poemas sempre 
Se acabam assim
Não lembro quem foi
Mas sei, foi, pra mim

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