Fazia tempo
Que não recebia, em visita
Tamanha tristeza
As dores no corpo
E também na cabeça
O choro incessante
Deitado na cama, em posição fetal
Tentando entender
O porquê de coisas que não têm porquê
A cama mudou
Também o hemisfério
A vida tentou
E tentou, e tentou
Até conseguir, de uma vez, me mostrar
Como dói ser sério
E quão caro é o preço
Da ingenuidade
Entregar-se todo, transformar o mundo
Nunca foi bom plano
Por que panos limpos?
A troco de quê?
Se tudo ao final será má surpresa
A segunda vez é ainda pior
A queda em vertigem me roubando o ar
Já que, só a subida, era um salto de fé
Agora o adeus
Que achei que seria difícil dizer
Foi silencioso
Com palavras falsas
Choro vergonhoso
De quem sabe a culpa
De que vale a culpa?
Agora que não dá mais para mudar.
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