quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Ensaio sobre a ingenuidade


Fazia tempo

Que não recebia, em visita

Tamanha tristeza


As dores no corpo

E também na cabeça

O choro incessante 

Deitado na cama, em posição fetal

Tentando entender

O porquê de coisas que não têm porquê 


A cama mudou

Também o hemisfério 

A vida tentou

E tentou, e tentou

Até conseguir, de uma vez, me mostrar

Como dói ser sério

E quão caro é o preço 

Da ingenuidade 


Entregar-se todo, transformar o mundo

Nunca foi bom plano

Por que panos limpos?

A troco de quê?


Se tudo ao final será má surpresa


A segunda vez é ainda pior

A queda em vertigem me roubando o ar 

Já que, só a subida, era um salto de fé


Agora o adeus

Que achei que seria difícil dizer

Foi silencioso 

Com palavras falsas

Choro vergonhoso

De quem sabe a culpa

De que vale a culpa?


Agora que não dá mais para mudar. 

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