Sempre que preciso fugir
Venho pra cá
Pra folha em branco
Pra velha máquina
Pro canto escuro do quarto e
Pra luminária bem fraquinha
Escrevo poemas que não rimam
Não tenho feito prosas, tem anos
Me culpo por isso
Me culpo por mais
Um tantão de coisas aqui
E ali
Espalho os discos no tapete
O café vai esfriando
Sigo pensando, pensando
Se sempre que eu quero sumir
Venho pra cá, tem anos
Para onde é que eu vou, porém
Sempre que preciso fugir
Daqui?
Fincado no chão
Pesado, me acomodo, e fico
Queria voar
Eu gosto de voar
Às vezes.
Acontece que não sei,
Nunca dei de aprender
Então quando vou, é sempre uma queda
Brusca, violenta, desajeitada
Percebo os sinais que não quero entender
Antes de fugir eu devia aprender
A voar sem temer a queda
Sem buscar algo pra me prender
Quem voa é assim, não está nem aí
Eu não sou assim
Se tem um lugar que sim, eu estou.
É aí.
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