Ainda que mais leve, a sensação ainda continua.
É estranho.
De uma maneira irracional me conduzo a pensar que tudo seria maravilhoso.
Me vêm à mente os sorrisos, momentos leves, certas descontrações onde a vida parecia boa. De fato, pode até ser que fosse, tento não julgar.
Contudo, agora que a intensidade está menor, que a onda parece ter baixado, ouvir Nazareth não consegue puxar pra fora nem mesmo uma lágrima...ufa! Estou em uma região segura, ou ao menos, assim me sinto.
E ao passo que quando este sentimento chegou eu estava em prantos limpando meus olhos enquanto batia as teclas, hostil e feroz...hoje sinto uma certa dor diferente de se descrever.
A dor da pena.
Porque no fundo, de verdade, sinto que tudo isso é uma pena. Uma pena as coisas terem acontecido como aconteceram e terem sido, assim, tão doloridas e cruéis para todos os envolvidos, de todos os lados.
É uma pena porque tudo o que foi feito, definitivamente, foi pensado pra dar certo. E que se tivesse dado, teria sido aquele futuro lindo, que nem mesmo eu sabia onde poderia dar.
É uma pena que não tenha sido nada disso.
Desprezando o sentimento de derrota e a vergonha e humilhação de me sentir um perfeito otário em meio à situação - o que não deixa de ser mentira, mas que já nem importa tanto agora - sinto que essa divisão dos caminhos em dois, a certa altura da história toda, e por mais necessária que tenha sido, manchou pra sempre a história e apenas endossou tudo aquilo que já estava envenenado há certo tempo.
Por Deus, mas que sensação horrível.
Foi só acessar alguns lugares um pouco diferentes na memória pra que as lágrimas naturalmente se secassem e o amargo na garganta desse lugar de volta à minha - ultimamente - constante cara de: ué?
Escrevo este texto como registro ignorando meu impulso constante de rasgar a folha, enquanto repito os versos que ouvi nessa tarde e vieram direto na jugular:
"(...) é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequena"
Que pena...
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