sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Alta concentração

Quando tento analisar a situação, assim, de maneira racional e imparcial, há um gatilho do qual tenho uma incrível dificuldade em me desvencilhar.

O da vítima no lugar do vilão.

Explico.

O discurso de inocência foi de estratégica montagem e manipulação a ponto de me fazer crer, quase de maneira inegável, ser real, puro, sincero. As armas e métodos utilizados foram tão eficazes que inseriram tal discurso em minha mente e em meu coração, de modo, assim, tão bem feito, que deixa até hoje suas marcas e cicatrizes. 

Sei que pode parecer confuso.

O que, sim, também sei, é que se eu não tomar todo o cuidado comigo mesmo, posso voltar às suas garras facilmente. Às garras do lobo na pele de cordeiro, falando no melhor português. 
É realmente estranho explicar.
Mas quando penso em certos momentos, fatos, histórias, conexões, ideias, quase que automaticamente a isento de qualquer culpa, de qualquer maldade. Inconsciente e impulsivamente a ponho no pedestal da premissa de que, não, não é possível que tenha existido aquele tipo de malevolência.
Pois, sim. Quando retorno ao meu estado normal - e essa é a parte que mais me incomoda: a bendita inconstância - vejo que, meu Deus, estou sendo manipulado sem nem mesmo estar perto.

A dose do veneno, desta vez, veio em altíssima concentração.

O momento então agora se concentra em pensar em como, onde, ou quanto tempo, será necessário para fazer uma limpeza.

É preciso drenar isso de mim. Porque embora não mais apareça tão constantemente, eu e eu mesmo sabemos que ainda está aqui. Correndo em minhas veias ou alojado na minha cabeça, em algum lugar - vou lá saber? - que, vez em quando, surge. E que se eu não me cuidar, pode me destruir, dada a força e potência da dose.

Como encontrar o antídoto? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário