segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O céu do 31

Enquanto a orquestra se preparava
Havia um sorriso branco, 
Brilhante, bonito
Sobre um pano de fundo roxo, laranja e rosa
Naquelas cores de inverno

E eu, claro, me distraí
Perdi certo tempo ali
Melhor diria, ganhei
Atônito olhando, em choque
Tal qual a primeira vez 
Que vi um sorriso assim

Voltei pra terra, mas não desci
Pensei na posição dos astros
Na conjunção dos planetas
Constelações, estrelas, cometas

E em nós, arrogantes grãos de areia
Irritados por razão qualquer
Eu era um grão de areia
Que do pó vim e ao pó voltarei
À ressaca

Até aquela voz dizer
Que hoje era trinta e um
De julho e tudo, veja só

Então me veio a Luiza 
[que ao escrever, me faz pensar em francês, mas essa é outra história]
Do Tom, e de mim, desde sempre
Naquele ano, em Áries
Redonda e amarela
Nua

E como tudo branco, naquele fundo preto
Na frase de efeito
Do bolero à cadelinha sorrindo, 
Delicada em seus joelhos

O céu de 31 nunca mais será o mesmo



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