sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Duas e meia

Um amigo, certa vez, me disse com todas as letras. Além, é claro, de todas as lições que me deu, essa:

 - Nada de bom acontece depois das duas e meia da manhã.

E pra quem vive da noite, na noite, e pra noite, isso faz todo o sentido. Sei que todos hão de concordar.
Mas o que ele não me disse é que, sim, há uma barreira. 

Eu chamaria de: a barreira das três e quarenta.

Não, por favor, não pretendo quebrar a regra das duas e meia. Só quem conhece, sabe. 
Por favor, faça esse favor a si mesmo, não fique. 
Se nada deu certo até as duas e vinte e cinco, corra. 
Fuja. 
Porque suas chances já estavam baixíssimas e, a partir de agora, elas só ficam menores.

Entretanto, meu amigo, minha amiga, todos os gêneros...

Se as coisas foram bem, aí sim, lhe sugiro que fique. 
Faça um teste, dê uma chance, pague pra ver.
Se as coisas foram bem e ali, antes das duas, você já estava sorrindo - seja lá como for.

...

Estique até as três e quarenta e se surpreenda. 

Porque nada, absolutamente nada, pode dar errado a partir de então.
Vai por mim.
Os portões já se fecharam, as chamadas se encerraram, os ingressos se esgotaram. 
Já foi!
É só partir pro abraço e, não importa. De qualquer maneira, onde você está, é onde deveria estar.

O que eu mais quero é imaginar, ou até desejar, que esteja você 
no meio de tudo, e apesar de tudo

Na beira do mar [ou]
Olhando pro céu [ou]
Ouvindo seu som [ou]
Riscando o papel [ou]
Mandando um do bom [ou]
Lambendo o batom [ou]

Há ainda, tantas, tantas formas de saber.

Que no fundo, lhe desejo, quem quer que você seja

Às quase quatro

Você percebe, sim, que sua vida vale a pena.
E que naquela noite, se tudo tivesse que acabar, teria permissão concedida. 
Por você.

Afinal, depois das duas e meia, nada de bom pode acontecer.

E até as três e quarenta. o que tinha de ser, definitivamente

Será.

Nenhum comentário:

Postar um comentário