segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Art

Eu olho para a sua roupa
Admiras meu estilo
Permito-me perder-me em teus olhos
Ao assumir o volante
Levar-te aos mesmos lugares
Onde nós, amantes, somos
Desafiamos a platéia
Já que você não resiste
Se te pego pela boca
E pela língua
Ainda que com vergonha
Queres que te faça toda
Ali mesmo, bem na mesa, 
E onde quiseres, sabes, faço

A arte é bem potente, aqui, entre nós dois
Perigosa ainda que estejamos sem medo
Existe uma mistura entre sentidos
Cheiro, toque, voz, e gosto
Já que nos olhamos assim, tão profundo
E no fim estamos, sim, 
Total entregues.

Porque seu talento com as mãos 
É inexplicável
E meus dedos fazem tudo o que tu queres
Sei que gostas
Atendo assim, a música, também
Como se fora meu ofício, talvez
Mas se trazes tuas ideias e viagens
Estamos em Madri no mês que vem

No fim, Chico Buarque, é quem nos guia
Trocamos em miúdos, nossas dores 
Pois só sei escrever alexandrino
Mas gosto de você para um caralho
E é isso o que ele, fato, não previa

Não posso me perder mais nessa vida
De tantas vezes que fui e voltei
Alimento minhas drogas mas troco
Revoadas por teus olhos
Tua cor, tua pele, tuas palavras
Que ainda que raras, acontecem

Me ponho em choque por toda a vida
Dezembros nunca serão o bastante
A balada de agosto me pega
O poema nunca acaba
E o nosso lugar não mais existe
Somos uma entidade
Perdida em nossos próprios mundos
Por todo o sempre, e enquanto for

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