segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Time machine

Liguei o carro, desci a rampa e saí.
Chovia. Uma chuvinha de um típico verão em terra brasilis. Fina, porém firme, e constante. Não iria parar nas próximas horas.
Enquanto dirigia, sintonizei a rádio que mais gostava. Como o destino pôde ser tão generoso ao trazê-la de volta junto comigo? Penso...
Dirijo por entre as ruas e me sinto bem. Coisas vão ressurgindo, pouco a pouco, dentro de mim, a cada novo minuto.
Em um determinado instante, aquela mistura: Chuva sobre o para-brisa, limpador ligado em temporizador, indo e vindo pausadamente, música brega e fora de moda tocando, o cheiro do asfalto, luzes da cidade, as mesmas ruas, esquinas, travessas...
Olho para minha jaqueta e - uau! - já não é a mesma daquela época, naturalmente. Independente disso, esta noite ela parece tão, tão como a velha. Resgato em pensamento uma jaqueta jeans, que naquele meu corpo de vinte e cinco quilos a menos caía como uma luva. Me olho, e penso: o que tenho é o que tenho que ter.
Com esse mix incrível e sincero, vêm junto: sensações, desejos, fantasias e reflexões, oriundas daquele tempo em que as nuvens eram de algodão.

Definitivamente, encontrei a máquina do tempo.

Olho no retrovisor, e encontro alguém diferente. Os cabelos longos, a barba e a confiança, meus ombros largos tal como o pescoço, apresentam-me uma versão diferente de mim mesmo. Me permito encontrar-me com a versão de mim a qual sempre, sempre quis ser. Como poderia imaginar que um dia, de fato, isso iria acontecer?

Continuo dirigindo e o mundo é meu.

A noite nunca tem fim, e como nunca teve, ela continua aqui. Minha eterna companheira, que me acolheu por tantos e tantos momentos, mais uma vez, abre os braços para seu, pra sempre, súdito.

Possua-me e faça de mim o que quiser.

Nada parece mais meu do que essa incrível sensação de saber que eu sou quem eu sou, que eu posso e que vou, sim, ser eu mesmo, agora e então, sempre que eu quiser.
Assim, nessa de renovar a parte que deveria ser mudada, porém ainda sim resgatar tudo aquilo que trazia as melhores das emoções, todos os amores e paixões se mostram vivos.
É a vida, voltando ao normal, como se eu não tivesse o direito de escolher onde ou quando a máquina vai me deixar. Porém, sim, estou pronto para aceitar. E é quando a gente aceita, que tudo acontece.

Como, onde, quando e, principalmente, porquê, tudo deve acontecer.

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