quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Por favor

Já que estava frio, acendemos a lareira.
Apaguei todas as luzes e deixei apenas um fundo de luz quente, avermelhado, que iluminava os quadros da parede e o corrimão de madeira.
Sentei-me na poltrona ao lado da vitrola e coloquei aquele disco. Aquele. Apenas para ocasiões como tal.
Confesso que é pegar pesado, mas quem negaria?
E porque era especial, me preparei com meu melhor. A camisa, o perfume...um jogo que achava já ter desaprendido a jogar.
Mas não.
E conforme o ritmo da música se misturava aos sons da lareira, ela saiu do banho...e passou correndo entre uma porta e outra para que não a visse indo se arrumar.

Tarde demais.
(Ainda sim, continuo adorando essa inocência)

Saltitou nas pontas daqueles pezinhos trinta e três ou trinta e quatro, a toalha enrolada mostrando - sem querer mostrar - só o que eu devia ver. Os cabelos, voaram com o movimento, deixando no ar um já conhecido cheiro bom que me manteve ali, sentado, inerte.
Depois, então, de longos minutos, ela surgiu. Aquela silhueta delicada, de não mais que um e sessenta, e desenhada milimetricamente pra caber nos meus braços, desfilando suave. Ela flutuava pelo quarto, uma cena em câmera lenta para os meus olhos.
Vestia algo como um vestido latino, solto nas pernas porém marcando aquela cinturinha que minhas mãos tantas vezes mapearam, subindo e respeitando cada uma das curvas do seu corpo. Lindo. Jovem. Torneado, leve e sinuoso.

Perigoso.

Subi meus olhos e vi aquele pescoço, meu objeto de maior desejo. Acompanhando seu queixo e todo o seu cabelo em volta do seu rosto misterioso. Voltei rapidamente o olhar pelo seu colo, todo a mostra, e suspirei. Tomara...
Que caia.
A música a fez dar uma volta, como quem me apresentava uma dança, e foi só ela perceber meu inevitável sorriso de orelha a orelha, que eu não precisei pedir...

Subiu suas mãozinhas macias deslizando do seu quadril, pela cintura, e deslizou rapidamente encaixando os dedos no seu decote, começando a descer, lado por lado, uma vez de cada, dos seios aos tornozelos, nos cinco segundos mais bonitos que o cinema não viu.
Levantou de volta, jogando os cabelos para trás, e sorriu. Tão pouca idade e tanta noção do poder que tem. Assim são as mulheres.

Não deu pra contar até dez e ela pulou no meu colo, aquele encaixe sutil, beijando-me a boca, o pescoço, as orelhas, e envolvendo sua mão pela minha nuca, debaixo dos meus cabelos...tudo retribuído ferozmente pelo meu instinto, que a devorava, da rija carne até roer o osso, segurando com firmeza suas coxas e apertando sua cintura com vigor. Entre um beijo e outro, passava apenas um dos meus braços em volta do seu corpo todo, dando a ela toda a proteção misturada com o prazer. Mais um corte digno para a sétima arte.

A noite teve seu ápice momentos depois, quando a música já pedia intensidade, e a lareira nos fazia arder cada vez mais. Deitado naquela cama enorme eu via apenas sua silhueta sobre mim, o desenho do seu corpo que a luz do fogo tornava ainda mais belo, enquanto a sentia ser invadida, carinhosamente descoberta, acessando o ponto mais profundo e me mostrando que, embora já sido tocado, cada centímetro do seu corpo pedia certo cuidado, com paixão. Só pedia mais.

Quando então ela percebeu que estava chegando ao máximo, deitou seu corpo, até então numa cavalgada intensa e louca, sobre o meu, fazendo nossos movimentos ficarem ainda mais fortes. Puxei levemente seus cabelos e coloquei minha boca em seu ouvido...sussurrei: olha pra mim!

Olhamos então nos olhos, e não deu pra segurar...enquanto aumentávamos o ritmo rumo ao céu, ela também me segurou bem firme com suas mãozinhas pequenas e tão gostosas, quase que massageando meu rosto, e ofegante, entre nossos olhares penetrantes, implorou...
 - Por favor!



Nenhum comentário:

Postar um comentário