sábado, 22 de fevereiro de 2020

Quando falo da noite

Falo é das luzes
E também do escuro
Do tempo (que nunca passa)
Ou de quando corre demais

Dos toques quentes
Olhos que brilham
Danças estranhas
Música estranha
Entrando e mexendo
Com a cabeça
Da gente

A gente confusa
Os monstros babando
As presas na esquiva
Timidez nos cantos
Tristeza por dentro

O álcool que escorre
Transpira e transborda
Papel, bola e açúcar
Pra dentes cerrados
E para as pupilas
Dilatadas.

Abraços de amor
De amigo e de oi
Carinho honesto [e]
Também disfarçado
E tudo acontece.
E nada também.
E está tudo bem.

Pois mesmo quando chega o sol
Pra quem é da noite
Ainda não acabou.
E não vai acabar
Nunca.

O barco, assim, segue
Navegando
Pelas águas misteriosas
Às vezes silenciosas, profundas
Outras vezes claras, rasas, perigosas
A noite também faz bom marinheiro
E o bom marinheiro nunca
Nunca sabe
Quando chega...
Só sabe
mesmo
quando chega.


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