Me lembro bem d'um dia em que, lá em dois mil e dezenove, um grande amigo me falou:
- Se prepare, pois estamos entrando em uma nova geração. O que vai valer, agora e então, não são mais as doenças do coração. Preparemo-nos pra darmos boas vindas para os, até então, conhecidos como "distúrbios", "transtornos", "condição".
Falando com clareza, disse ele em, alto e bom tom: as doenças da cabeça, nosso mal, assim, serão.
Doenças psicológicas.
Imagine.
Em 2019.
Que previsão maluca foi essa?
Março de dois mil e vinte, chega a tal da pandemia.
Nem preciso mencionar a lista de transformações.
Mas eu sei, meu grande amigo, j'acertou.
Vacinamos-nos, quase todos, nós.
Sobrevivemos e - só por isso - escrevemos, parte de nós.
Qu'acabou, graças a Deus, passou. passou.
Só que não nos perguntaram, já depois do chamado "novo normal", como é que estavam nossos nós. Exigiram que voltássemos com tudo. Bem alegres, meio mudos, por sermos sobreviventes do que um dia antes, diziam ser fatal.
Foi fatal pra muita gente, matando principalmente, nossos poucos, porém, bons.
Agora paro.
Respiro.
Reflito.
O mundo se tornou um lugar bem do esquisito.
Nunca soubemos quem somos, disso eu sei. E o que vejo é que agora piorou.
Empatia nunca foi uma questão
A gente só dava um jeito, uma maneira
A gente só fingia muito bem
E no final
No fim das contas
Não conheço quem dá conta
De nos explicar porquê
Adoecemos cada uma à sua maneira
Nenhum doente é igual
Nos perdemos desdenhando a brincadeira
A folhinha presa, ali, na geladeira
Marca os dias (quem diria!)
Denuncia, quase grita
Nenhum comentário:
Postar um comentário