sábado, 17 de maio de 2025

A sobra

Devo confessar que minhas mais recentes percepções do mundo ao meu redor raramente me agradam, me despertam, me interessam.
Confesso nessas linhas também que começar um texto fazendo uma confissão nunca nem foi meu estilo
Bom, ao menos, não, até então

A coisa é que quando me lembro, quando vem à mente
Das noites, do meu Monza verde
Das músicas no meu velho toca fita
Das luas, das noites, vazias
Dos bares, da rota, rotina

Me pego lembrando e vivendo

Minha solidão, minhas dores
Já surgem
Vêm
Tudo de novo

Não sei, mais, se fui mesmo feito pra noite
Se a noite foi feita pra mim
Recuso-me a dizer sim
Internamente, eu só apanho
Reclamando ou não, eu me rendo, eu aceito
Eu leio os papéis
Eu entendo

Nos dias em que eu mais preciso
De um colo, um abraço, um carinho
Olhando ao redor, eu atento, percebo
Que aquela postura que um dia adotei
Não faz mais sentido nenhum
Nunca fez

Sobrou o que tanto afinal?
Te direi
Um rastro de plano
Um talvez
Sobrou meus mil eus, meus vocês
E o que eu nunca posso escrever

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