No auge da madrugada
Após todas as doses
O suor
O cansaço
O prazer
O limite
Me pego a pensar
Se a culpa foi minha
Se eu que deixei-me
Ser tratado assim
Se eu que permiti-me
Ser zombado assim
Mas vejo que não
Cada um só dá
Aquilo que tem
Tentei lhe ensinar
Tentei lhe guiar
Lhe abrir os olhos
Lhe fazer mudar
Mas não há mudança naquilo que, sim
É a própria essência
Daquela pessoa
E não adianta tentar enxergar
A parte bonita
Ou tentar criar
Destino, futuro
Todo mundo entrega o que tem pra entregar
Existem limites, não dá pra cruzar
Eu tentei cruzar
Achei que daria
Mas vi que não dá
Melhor respirar o perfume no ar
No meio das coxas, no meio do lar
Do que ajoelhar-me e tentar me enganar
Com o que nem existe, fui besta, sei disso, só tentei criar
A vida bonita, ousei imaginar
A culpa foi minha
E não foi por deixar
Foi por ser ingênuo em me deixar levar
E achar que daria para superar
O que é sujo e feio, que pena! Não dá
Descobri do jeito pra tu não tentar
Que aquilo que surge uma vez? Nunca mais
Mas o que acontece duas vezes, ou mais
É melhor fugir enquanto for capaz
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