quarta-feira, 13 de maio de 2020

Tutti Frutti

Senti o perfume da flor. Tão leve e gostoso foi, que não deu nem tempo de pensar em não se apaixonar.
Um dia, lá atrás, um bom amigo, desses que a gente nunca mais vê, não sabe mais quem é, e ainda sim lembra e preserva aquilo que, um dia, existiu, enfim, me disse: você vai ver. 

Agora eu vi. Confesso, sim, que não foi sequer um pouco difícil assumir.

A juventude encanta. 

A ingenuidade em sua posição mais vulnerável tem uma potência que não dá pra medir. Aquele olhar penetrante de admiração chega a estremecer as pernas dessa alma ligeiramente cansada. Então se misturam os dois e o resultado dessa alquimia é um olhar de curiosidade que, quando depois de alguns segundos, encanta e seduz. 
Tem brilho.
Acompanhando essa energia atraente e bela vem uma onda lá de dentro que quase grita. É ela, a insegurança da mente jovem, que tentamos tanto esconder - você se lembra? - e que agora, olhando de longe, parece um carro alegórico. Por dentro eu rio de gargalhar, de tão bonito que chega a ser. É preciso mostrar, falar, convencer. E o discurso é tão bonito quando bem feito que eu nunca, nunquinha, iria me dar ao luxo de interromper. 

A juventude encanta porque ela é, mesmo, linda de morrer. 

A paixão no olhar de quem (ainda) tem todos os sonhos na palma das mãos me enche os olhos d'água. Não posso ser hipócrita em dizer que não reavivou em mim uma vontade louca de ganhar o mundo. De novo!
A força das palavras que vêm lá de dentro e saem rasgando feito um punhal. Quem não estiver preparado, que lute. As palavras jovens e pouco pensadas não vão longe, porém chegam carregadas de uma intenção admirável. 
O recheio disso tudo acaba sendo a capacidade de enxergar, ou de não fazê-lo, mas enfim, de ver que tudo é possível e que o mundo é um lugar incrível para se viver. Quase convence.

A juventude encanta porque ela sempre estará aqui, de alguma forma.

Vem então a cereja do bolo, que é aquilo que só os olhos vêem. A sutileza da pele, lisa e perigosa, um caminho nada sinuoso - pelo contrário - que a gente viaja, flutua. Uma textura suave que tantas vezes já vimos mas que só deu pra reparar mesmo, foi agora. As mãozinhas pequenas, leves, bonitas, carinhosas, que tocam com medo, descoberta, desejo. Cabelos, pescoço, nuca. Cintura fina, pernas rijas, pezinhos macios perfeitos. A doçura dos movimentos e o riso solto em meio ao prazer. A força do impulso sem o conhecimento pra administrá-lo bem. Uma obra de arte.

É muito fácil ceder ao cheiro e aceitar o coquetel. 

Fácil de um jeito que a gente nem luta. 

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