Ardeu-me a garganta.
Encheu meus olhos d'água.
Pensei que fosse tristeza. [tal acostumado ultimamente estou]
Não era.
Ergui a cabeça e tentei respirar. Quase não pratico.
Não adiantou.
Meu corpo preparou-me como a natureza o fez.
Mãos e pés formigando, suando, frios.
Ah, se ainda estivéssemos em tempos de ameaça eminente...mas, não.
A ameaça do cotidiano é aquela que a gente busca.
Senti o calor subindo...
Cólera.
Fechei e apertei os olhos.
As mãos prepararam golpes então as cruzei frente ao peito.
Trancado no quarto, podia gritar.
E gritei.
A fera escapou e veio, como toda besta, destruindo tudo sem distinção.
Abri os olhos, juntei-me à velha máquina.
Vi seu endereço num velho envelope, engoli em seco
E escrevi.
Uma sequência de mágoas surgiu como uma metralhadora.
Palavrões de diferentes origens e numa ordem que, conforme vinham, iam.
Perdi a cabeça.
Os minutos mais rápidos da minha vida se passaram ali, enquanto esmurrava o teclado sem o menor propósito, que não, ferir.
Lentamente. Profundamente.
Era o mal.
Cólera.
Quase que como numa luta, após o efeito da adrenalina, padeci.
Chorei. De soluçar.
Não havia música que me segurasse.
Virei pra lá e pra cá como criança.
E como dizem, há sempre um pouco de mal no bem, e um pouco de bem no mal.
A carta enfim pronta.
Uma folha de papel com dez quilos de ódio e rancor.
Peguei-a nas mãos e a tingi. Com lágrimas.
Botei-a de lado. Na mesa, no canto.
E na manhã seguinte, entre a lata de lixo e o isqueiro,
Postei.
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