Dei o último gole, que desceu morno, amargo, horrível. Devo ter feito aquela careta que os bêbados fazem e nunca percebem. Também porque nunca se importam, mas vá lá.
Parece que o jogo de poder, por fim, cessou. Definitiva ou temporariamente, não importa muito, na verdade. O que sobrou mesmo foi um silêncio, um breu, um vácuo. Todo esse espaço que estava sendo muito mal preenchido, afinal. Não posso esquecer.
Até que, não aos poucos, mas abruptamente deixou ir toda a loucura, a falta de respeito, de controle, de maturidade.
Tanta falta pra sobrar a sua falta. Que ironia mais típica.
Será que nos cansamos de brincar de quem é que manda? Confesso que estava mesmo ficando cansado de, hora me sentir no topo, hora me sentir no lixo. Toda uma carga que não fazia o menor sentido de ser.
Agora me sinto no lixo e é só isso mesmo.
Acendo um cigarro, e olha que eu nem fumo. Vislumbro os vultos das pessoas pelo corredor, ouço a música no fundo, e continuo refletindo mesmo que já tenha passado - já há algum tempo - das duas e meia da manhã.
Eu gosto do lixo.
Eu gosto daqui.
Continue?
>YES
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